Pop e Art

“Precisamos desconstruir as armadilhas sociais”, diz atriz trans Laysa Machado ao lançar canal no Youtube




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Por Neto Lucon

A atriz, poetisa e professora de história Laysa Machado – que ficou nacionalmente conhecida como a “primeira diretora transexual do Brasil” (relembre aqui) – lançou recentemente um canal no Youtube, o Coisa da Laysa.

Nele, a artista fala sobre a comunidade LGBT focando na educação, direitos humanos, arte e interseccionalizando com outros grupos – “como o cadeirante LGBT, o surdo, cego, periférico”. Até o momento, ela publicou seis vídeos em que aborda trabalho, amor, armário e transição.

Mas o que temos ainda pra falar sobre as mulheres trans? “Quando se trata de uma de uma identidade feminina trans, todas as gamas de construção social são impostas pelo machismo histórico, rótulos e estereótipos. O machismo reforça a disputa de quem é a mais bonita, inteligente, sexy, jovem... Então, precisamos desconstruir essas armadilhas sociais limitantes”, declara.

Em conversa com o NLUCON, Laysa conta que a ideia de ser youtuber não é nova. E que inicialmente foi estimulada por jornalistas amigas a criar um canal – chamado Coisas Subversivas – que lhe serviu de experiência para o repaginado Coisa da Laysa. Após um curso de roteiro e áudio visual no Sesi, ela se jogou como youtuber e conta com a edição de Carolina Felício.

"Assim como (a militante travesti) Claudia Wonder (1955-2010) ressignificou de forma subversiva o Vômito do Mito, de Glauto Mattoso, a minha groselha (ou sangue) é mostrar que sou trans e assumo o que sou, inclusive na arte. Ou seja, assim como ela transformava a sua dor em luta, quero transformar a minha dor em grito, para ecoar longe. Por isso fiz o canal".










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Laysa ainda não sabe qual público tem atingido. Mas cogita que deve agradar “quem gosta de escutar e compartilhar com uma mulher trans que passou pela transição na vida adulta para se permanecer viva, que gosta de histórias paulofreirianas, com recorte em Jacques Le Golf, Florbela Espanca e a poesia de Waly Salomão. Além de Claudia Wonder, evidentemente”.


“Apesar de ser um canal muito pequeno, tenho bons relatos. Fui abordada por uma trans que disse que gosta do canal e que me acompanha como um conselho de mãe. Um menino trans também me abordou no shopping e pediu um abraço. Sempre me emociono. Sou poetisa e atriz, então acho que se consigo tocar as pessoas, nada mais interessa”, diz.

E TEM MAIS

Além do canal, Laysa continua dando aulas de história, palestras e colhendo os frutos da carreira de atriz. Somente neste ano, está com uma agenda repleta de projetos, que prometem contribuir com a luta contra a transfobia e em prol da cidadania de travestis e mulheres transexuais.

“Estou ensaiando uma nova peça que escrevi chamada "Meu Filho é", estou em pré-produção do meu novo curta, escrevendo o meu novo livro e também sou uma das produtoras e atrizes da web série Mulheres em Série, que estará na segunda temporada”. Que fôlego! Arrasa, Laysa!

Assista, curta, compartilhe e se inscreva no canal! 




About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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