Pop e Art

"Transfobia não merece espaço”, declara Criolo ao comentar mudança de música



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Por Neto Lucon

Criolo
voltou a falar em recente entrevista da revista Época sobre a mudança da música “Vasilhame” – ao fazer uma releitura do primeiro disco, Ainda há Tempo – por conta de um termo considerado transfóbico.

Como o NLUCON já noticiou, Criolo cantava “Os traveco tão aí, oh! Alguém vai se iludir”. Mas na nova versão, 15 anos depois, ele afirmou que entendeu o quanto ofensivo estava sendo e decidiu substituir pela palavra “universo”.

“Quando me dei conta do que significava a palavra ‘traveco’, o real significado, eu nunca mais cantei essa parte da música. Mudei na hora, e isso foi há quatro anos. Agora, com a oportunidade de regravar, não pensei duas vezes”, declarou.

Para quem não entendeu, a palavra traveco (para se referir a uma travesti) é ofensivo, difamatório e diminui a identidade da travesti. Isso porque o sufixo “eco” é utilizado para diminuir o significado ou valor da palavra, bem como “padreco”, “jornaleco”, “livreco”.

O artista disse que, por falta de consciência dos preconceitos já incrustados socialmente, muitas vezes as pessoas erram. “Isso no meu caso se tornou no equívoco de apenas repetir algo dito, sem refletir sobre o assunto, ou procurar saber. Enfim, total ignorância minha e corrigi meu erro. Cresci com ele e agradeço ao universo que me proporcionou uma segunda chance”.

Ele ainda declarou que “homofobia, transfobia e preconceitos em geral não merecem espaço na sociedade”.

Ao comentar sobre como lida com os fãs LGBT, Criolo afirma que nunca fui de reparar sobre a orientação sexual ou identidade de gênero de uma pessoa que lhe pede abraço. “Eu enxergo quando existe um ser humano lindo, com quem podemos dividir um abraço, naquele bom momento de encontro”. Close certo? Certíssimo!

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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