Pride

Vídeo de travesti e irmã cis sendo agredidas choca e ajuda polícia a prender transfóbicos



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Por Neto Lucon

A travesti Taísa Silva, de 21 anos, e sua irmã cis Luciana, de 20, foram covardemente agredidas por três transfóbicos em plena luz do dia de domingo (11), em Santa Cruz, no Rio de Janeiro. O caso chocou ao ser filmado, cair nas redes sociais e evidenciar a violência em que a população trans é submetida no país. 
A mobilização que causou – com mais de 40 mil compartilhamentos - ajudou a polícia a encontrar e a prender os agressores.


Nas imagens feitas por um celular, Cleiton da Silva, Rodrigo Luiz Silva Soares e Jorge Batista Ignacio aparecem dando socos, chutes e agredindo Taísa na rua. A irmã dela aparece para defendê-la e também acabou sendo agredida. No momento da violência, diversas pessoas passam, mas ninguém ajuda até o fim do vídeo. 

O delegado Daniel Mayer, da 36ª DP (Santa Cruz) declarou que os três suspeitos foram identificados como autores das agressões na terça-feira (13) e presos nesta quarta (14). Um inquérito foi instaurado para apurar o crime, colhendo todas as provas e imagens divulgadas.

Em prisão preventiva, os agressores alegaram estar arrependidos ao delegado e devem responder por tentativa de homicídio.




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O CASO

Em relato à polícia e também ao jornal Extra, Luciana declarou que a violência contra a irmã e ela começou assim que elas entraram em uma vã, onde os agressores estavam e começaram a ser ofender a travesti. Não satisfeitos, eles agrediram fisicamente Taísa, até que ela rebateu e eles se reuniram para uma agressão em grupo fora da van.

“(Rodrigo) com uma faca tentou acertar minha irmã, que rebateu com o braço. Ela se jogou no jogou no chão, pegou a faca que tinha caído e deu um golpe nele também. A minha irmã tentou correr. Eles disseram que iam matá-la. Nisso, o Jorge deu um golpe de chute nela, que caiu, bateu a cabeça no asfalto e ficou inconsciente”, declarou.

Ela disse que tentou ficar o tempo todo na frente deles, pedindo “pelo amor de Deus” para que parassem. “Mas eles vieram e me agrediram também. Pediram para eu sair porque queriam matá-la”, lembrou. Eles só pararam com os chutes e socos depois que algumas pessoas entraram na briga para apartar. E fugiram.

As irmãs foram levadas por um mototaxista para o Hospital Municipal Pedro II, onde receberam atendimento médico. Luciana teve ferimentos leves e declarou que a irmã está muito machucada e inchada. Taísa fraturou o rosto e teve lesões por todo o corpo, como ombro, braços e pernas.

MANIFESTAÇÃO

Em vídeo publicado no Facebook, a militante Indianara Siqueira afirmou que vai mobilizar no local das agressões uma manifestação para repudiar a violência contra as travestis e mulheres transexuais. E pede que todas as pessoas participem, assim como comumente participam de manifestações contra a homofobia.  


"A gente vai se mobilizar, a gente vai fazer uma marcha. E espero que as pessoas entendam desta vez que uma travesti é ser humano como outro qualquer, tem direito à vida, a ser defendida. E que a gente tem que comprar a briga das travestis, das transexuais e das transgêneros".

Ainda não foi definido dia e horário da manifestação. 


Assista ao vídeo (imagens fortes):

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

6 comentários:

Claudia Celeste disse...

É tudo muito triste!... Até quando isto vai continuar, meu Deus!...

Anônimo disse...

Tinha que identificar quem estava lá e não ajudou e indiciá-los por omissão de socorro. Ver essa covardia e não fazer nada é crime!! Incrível e triste de acreditar é que se fosse alguém agredindo um cãozinho, certamente esses lixos covardes seriam linchados pelos transeuntes. Prefiro ser presa por porte ilegal de arma do que sofrer uma tentativa de homicídio tão covarde e cruel.

Sandra Lopes disse...

Simplesmente assustador... e a apatia dos transeuntes que apenas observam sem sequer comentar (já nem falo em interferir) ainda é mais assustador... é como se todos, no fundo, gostassem de estar na pele dos agressores, sem terem coragem para isso...

Daniely Magalhães disse...

nossa eu vejo o estado islamico a justiça tem que ser feita prender esses vagabundos safados para que jamais ocorra novamente isso na nossa terra

José Carvalho disse...

Puta que pariu... que terceiro mundo pffffffff mas porquê essa violência???

Anônimo disse...

Meu Deus que selvageria.
E todo mundo vendo e ninguém ajudou
Graças a Deus não vivo mais nesse país

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