Pop e Art

Diva na pista, Danna Lisboa mostra garras contra a transfobia em primeiro clipe, Trinks



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Por Neto Lucon (15/10/2016)

Cantora, dançarina, mulher trans, negra e periférica. Danna Lisboa foi chamada, está aqui” e mostrou que veio "tombar" ao lado das mulheres no hip hop brasileiro. Em seu primeiríssimo clipe, “Trinks”, a artista “é diva na pista”, mostra talento, energia, além das “garras afiadas” na luta contra a transfobia e outras opressões.


Dirigido pelo coletivo Los Cabras, o clipe foi lançado nessa sexta-feira (14) em grande estilo. Traz Danna em p&b expressando a identidade trans por meio da rima, da música e da dança. Ela canta que "ideias velhas não vão ter plateia", que vai se "divertir com as amigas travestis" e faz uma verdadeira festa em prol do empoderamento e da representatividade - dispensando os machistas.


Tem travesti, mulher transexual e cis, homem trans e cis, crossdresser, drag queen, negro, branco, gordo... Todo mundo junto e misturado. Além de Danna em vários looks, penteados e até vestida de onça! Onça? “A onça representa uma parte de nós trans, que somos extintas, tanto pela violência quanto pelo suicídio, e também por aquelas que continuam sobrevivendo com força e garra”, defende Danna com exclusividade ao NLUCON.

Vibrante, alegre e consciente, a cantora supera a lacuna que existia no hip hop em relação às identidades trans, 
mostra talento e não fica devendo nada a nenhuma outra veterana(o) cis. Ao contrário, por meio deste primeiro clipe, revela personalidade e prova que "pode fazer rima, pois seu berço vem do gueto". Sobretudo reforça que fervo, lacre e música também é luta. “Estamos aqui para bater de frente com o preconceito e mostrar o nosso valor”, declara.








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Divertida e relevante

Para quem não sabe, antes de iniciar a carreira no rap, a artista trabalhava com performance em palcos LGBT – sendo uma das mais completas do cenário paulista. Ela também atua como professora de dança e esteve “tombando” no clipe “Tombei”, de Karol Conká, sucesso de 2014. Desde quando divulgou o single Trinks, produzido por Nelson D, e investiu na carreira de cantora, vem vendo o seu número de fãs aumentar.

Tanto que um dos idealizadores do clipe, Antonio Adriano Brito conheceu a artista durante uma apresentação na Rainha da Virada, em São Paulo, e admite que a música de Danna não saiu da cabeça. “Ela tem uma pegada divertida e ao mesmo tempo aborda temas relevantes e fundamentais no momento atual”, diz. Quando surgiu a oportunidade de dirigir um clipe independente com o trio de direção Los Cabras, logo pensou em Danna.

Segundo Brito, a ideia principal foi criar um clipe que trouxesse toda a representatividade de “uma rapper trans, negra, da periferia, cheia de atitude e com muita dança”. E dentre os efeitos visuais, a equipe pensou em evidenciar a rima forte da música por meio de um projetor, contrastando com o preto e branco dos cenários e figurinos.

Bastidores do clipe "Trinks"
De acordo com a cantora, o resultado do primeiro trabalho superou as expectativas. “Ficou além do que imaginei. Achei a direção e toda a equipe maravilhosas, desde maquiadores, dançarinas, produção e colaboradores que fizeram isso tudo acontecer”, declara a artista, que vai lançar o primeiro EP no próximo mês.

Brito também agradece a todos os parceiros que fizeram parte do projeto. “Desde os estilistas Isaac Silva e Fernando Cozendey, que são referências para o público LGBTQ+, as pessoas que participaram da cena, como a drag queen Aretha Sadick, o youtuber Samuel Gomes, as travestis Bruna Correa e Khristinny Rodrigues, do Centro de Acolhida Florescer... Então tudo isso nos encheu de orgulho e alimentou a nossa vontade de fazer o melhor”. Foi um tiro! 

Assista ao clipe abaixo:



Ficha Técnica

Direção: Los Cabras
Produção: Vira Lata Produções
Produtor Executivo: Pablo Saed
Criação: Antônio Adriano
Assistente de Direção: Tays Perez
Diretor de Fotografia: André Fancio
1º Ass. de Câmera: Diego Garcia
Logger: Diego Garcia e Tamara Marques
Diretora de Produção: Tamara Marques
Edição: Ale Jardim
Colorista: Paulo Navajas
Motion: Antônio Adriano
Produção Artística: Fernanda Teuber
Figurinistas: Celso Ferreira e Will Porfirio
Cabelo/Maquiagem: Italo Saliccio e Luiza Zati
Figurino Danna: Brasileirice Moda Praia, Isaac Silva, Fernando Cozendey, Acervo Gabriel Carraro e Acervo Letícia Tie.
Acessórios Danna: DiPaula Semijóias
Figurino Dançarinas: Loja Urban Kulture - CWB
Eletricista: Marcelo Monteiro (Latino)
Maquinista: Alexandre Haroldo Nascimento (Malaco)
Projeção: Xand Gonzales
Lyric Video: Raphael Luz e Antônio Adriano
Making Of: Jonatas Marques e Lilian Oliveira

Dançarinas: Bruna Sampaio, Danny Tavares e Tamires França.
Coreografia: Danna Lisboa
Apoio de coreografia: Estúdio Slum Bounce, Guilherme Martins e Daru Liberato.

Participações: Aretha Sadick, Samuel Gomes, Eliton, Naomy Fox, Mauro Borges, Deborah Back, Rodrigo Martins, Josy Luiza, Bruna Correa, Khristinny Rodrigues, Lilian Oliveira, Celso Ferreira e Will Porfirio.

Apoio de Figurino: Brasileirice Moda Praia, DiPaula Semijóias, Isaac Silva, Fernando Cozendey, Preta Rainha, Loja Urban Kulture - CWB, Acervo Letícia Tie e Acervo Gabriel Carraro.

Agradecimentos: Sétima Arte, Diogo Nunes, HDVLOC, Cine Video, Luis Peloia, Thais Padilha e Centro de Acolhida Florescer

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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