Pride

Gênia da tecnologia, hacker trans faz história ao se tornar ministra digital em Taiwan



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A programadora e ativista Audrey Tang é conhecida como uma das maiores gênias* envolvendo tecnologia no mundo. E sua capacidade a fez ser chamada aos 35 anos para ocupar o posto de ministra digital de Taiwan. É a primeira pessoa declaradamente trans a ocupar o cargo no mundo.

Ela assume a cadeira neste sábado (15) e a notícia tem sido bastante veiculada pela imprensa local, que afirma que sua escolha traz “sangue jovem” ao Poder Executivo – é a mais nova a conseguir o posto - e que é um passo importante para os direitos LGBT na ilha.

“Quero construir e melhorar espaços para reflexão e respeito de questões políticas concretas, onde passamos aprender uns com os outros”, declarou ela ao site El Confidencial. Ela diz que suas diretrizes seguem àquelas que acompanharam a carreira: liberdade e transparência, para dar voz à população.

Audrey começou a programar aos 8 anos, largou a escola aos 12 anos, fundou uma start-up aos 16 , trabalhou em empresas do Vale Silício aos 18 e desde então não parou. Ela é conhecida como um dos grandes nomes no desenvolvimento de softwares livres e uma defensora do movimento por dados abertos. Outro dado levantado pela imprensa é que ela tem um QI de 180, curiosamente maior do estimado do gênio Stephen Hawking.

Desde que se tornou ciberativista e hacker cívica, ela faz com que o governo seja o mais transparente possível, trazendo informações sobre a máquina pública à população. A afinidade com a política deve-se pelo reflexo do pai – que lutou pelo movimento estudantil nos anos 80 - e pelos estudos de política, filosofia e sociologia na adolescência

Em 2014, se envolveu ao Movimento Girassol, em 2014, quando os jovens protestaram contra a assinatura de um tratado comercial com Pequim. E instalou um telão do lado de fora do Parlamento, para que a população acompanhasse o que estava sendo discutido no lado de dentro. Apesar das críticas, ela disse que o ato não foi um sinal de rebeldia, mas uma forma de “encorajar as pessoas a falar, só isso”.

Incrível, né?

* embora a palavra gênia não exista na linguagem técnica, pois se trata de substantivos sobrecomuns (com apenas um gênero, no caso masculino), consideramos a necessidade de flexionar para o feminino com a finalidade de questionar a estrutura muitas vezes pautada no machismo (durante muito tempo sequer cogitaram que mulheres poderiam ser gênias) e reforçar o respeito pela identidade feminina da personagem.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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