Pop e Art

"Lembre-se, querida, ser trans é lindo", disse Laverne Cox à criança trans em encontro fofo



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Revendo algumas matérias antigas envolvendo crianças trans, achamos uma postagem de um encontro muito importante para uma garotinha trans que aconteceu em 2015. A pequena M., de 7 anos, realizou o sonho de conhecer a atriz Laverne Cox, que também é trans, e se emocionou.

O encontro foi proporcionado pela mãe da criança, Marlo Mack, que aproveitou um discurso de Laverne daria na prefeitura para presentear a filha. Mesmo assim, a experiência foi marcante para todas as pessoas envolvidas. Sobretudo para M.

No relato que fez em seu blog, Gender Mom, a mãe declarou que evidentemente não deixa que a filha assista à série Orange is The New Black, em que Laverne atua. Mas que, pensando na importância da representatividade, mostrou uma revista em que a atriz foi capa. 

Durante o encontro, a garotinha correu para dar um abraço em Laverne, declarou que é trans e recebeu um importante conselho: “Lembre-se, querida, ser trans é lindo”. Marlo agradeceu ao encontro e a importância de Laverne na vida de sua criança. Fofo demais, né? 

Confira a carta traduzida da mãe:

“OITNB não é realmente apropriado para uma criança de sete anos assistir. Mas eu tinha mostrado uma foto de Laverne para M. na capa de uma revista. De certa forma ela sabia que Laverne era importante e que também era transexual.

Nós chegamos cedo para pegar assentos bem na frente. Quando Laverne entrou na sala a multidão enlouqueceu. M, ficou super feliz e bateu palmas.

Acho que M. era uma das únicas crianças na plateia. Mas ela entendeu que aqui está alguém que é talentosa, inteligente, famosa, amada por multidões. E ela também é como você.

Um amigo de um amigo conhecia os organizadores do evento e disse que poderia nos encaminhar para a recepção, onde Laverne iria após o discurso. Duvidei que ele lembraria de colocar nossos nomes na lista. Assim que M. sentou no meu colo, disse que talvez - apenas talvez - ela poderia conhecer Laverne naquela noite.

“Sério?”, ela perguntou.

Os nossos nomes estavam na lista, mas Laverne ainda não estava lá quando entramos na recepção. M. se posicionou num lugar perto de algumas portas. Tinham várias entradas, então porque ela acharia que Cox viria por uma daquelas portas? M. ignorou minha pergunta e ficou sozinha no outro extremo da sala, de costas para mim.

Ela estava certa, poucos minutos depois, Laverne entrou por aquelas portas e a multidão foi à loucura. Mas dessa vez uma pessoa pequenina em um vestido florido ficou entre ela e a multidão. Olhando em seu rosto, esperando para ser notada.
Laverne acenou para todos, nos agradeceu graciosamente e então olhou aquela garotinha bloqueando o caminho.




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“Olá” – disse a atriz.
“Eu sou M.” – respondeu minha filha.
Laverne sorriu pra ela: “Olá M.”
“Eu sou trans”, disse M.

Laverne ficou meio perdida, a multidão em volta comentando -“você viu o que aquela menina disse?”. Laverne olhou ao redor da sala e perguntou “Tem alguém com ela?”
Dei um passo para frente: “Eu sou a mãe dela”. Fiquei totalmente travada e esqueci como um ser humano fala. Não tenho ideia do que eu disse.

Mas M. sabia o que fazer. Ela foi direto dar um abraço em Laverne, que se agachou ao nível dos olhos de M. para conhecê-la. Ouvi o que ela disse à minha filha “Lembre-se querida, ser trans é lindo”.

Obrigado vida.”

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

10 comentários:

Anônimo disse...

Fico com pena da criança que vai crescer com essa ilusão de que ser trans "é lindo"

Camila disse...

E nós ficamos com pena de ti que cresceu (será?) com o preconceito de que ser trans é errado.

Desejamos melhoras
(E silêncios teus)
Abraços!

Rafaela disse...

E nós ficamos com pena de ti que cresceu (será?) com uma mente fechada e preconceituosa, ser trans é lindo sim, feio é o teu preconceito.
Muito amor pra você ♥♥♥♥

Anônimo disse...

Feio eh seu preconceito
Ser trans eh lindo.. eh de mais..
E admiro mto...

Luiz Alberto Felix disse...

Sem palavras....
Isso é real ou é um filme de terror?
Uma criança que ainda nem chegou na puberdade, e por tanto nao tem nem idéia do que é sexualidade, ja está sofrendo alterações corporais irreverssíveis do dr. Frankenstein, e todo mundo acha isso normal?
E se a criança mudar de ideia?
Esse monstro degenerado ainda afirma ser mãe!
E muitos outros a apoiam.....

João Pedro disse...

isso se chama evolução Luiz, não perca os próximos capitulos

Júlia Nunes disse...

Luiz Alberto, imagino que você não vá entender, mas te dou certeza, essa situação que parece tão errada e assustadora pra você, na verdade é uma emocionante história feliz. Entenda que aquela garotinha nasceu com um problema. Ela não vai "mudar de idéia". Ela é e sempre será uma menina. Infelizmente ela nasceu transexual (digo infelizmente, porque com certeza sua vida seria mais simples se ela fosse uma menina exatamente como as outras e não precisasse enfrentar tratamentos, cirurgias e preconceitos para ser ela mesma). Mas uma coisa acredite: esse encontro e essa referência de uma mulher trans que pode se tornar alguém grande, respeitada e muito amada, é LINDO e muito IMPORTANTE para que a garotinha M cresça com mais amor próprio e esperança. Ser trans não é escolha de ninguém. É uma condição. E nenhuma educação, religião, tratamento mental ou violência pode mudar isso. Hoje, ainda vivemos em uma sociedade onde as pessoas não entendem que alguém nascer trans, é algo inexplicável e alheio a vontade dela ou da família. Mas uma coisa é certa... não é feio e nem errado. É apenas mais uma das diferenças e mistérios da vida. Acredite... uma criança como essa, tendo esse apoio da mãe e esses referenciais de sucesso, pode evitar de ser mais uma pessoa transexual traumatizada, infeliz ou até um número em estatísticas de suicídio. Não fique chocado ou triste com essa matéria, mas sim, busque olhar com uma ótica mais humana e simples. Se fosse uma criança tetraplégica conhecendo uma referência de igualdade em um adulto bem sucedido, seria emocionante pra você não seria? Pois enxergue essa situação da mesma forma.

Anônimo disse...

Representatividade importa d++++ <3 E foda-se os comentarios idiotas! Como vc ja me disse uma vez "nunca leia os comentarios"

Maria das Graças Lins de Padua disse...

A alma não tem sexo.
Na minha família temos pessoas muito queridas , integras moralmente, afetuosas, e nunca nos orgulhamos delas, não são menos amadas por serem homossexuais.

Maria das Graças Lins de Padua disse...

A alma não tem sexo.
Na minha família temos pessoas muito queridas , integras moralmente, afetuosas, e nunca nos orgulhamos delas, não são menos amadas por serem homossexuais.

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