Pride

Mulher trans Mel Rosário é agredida por pastor e proibida de entrar na igreja em Vitória



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A cabeleireira Mel Rosário, que é uma mulher trans, vem enfrentando barreira em seu direito à fé em Vitória, Espirito Santo. Ela protesta contra um pastor que, após agredi-la dentro da Igreja Nova Aliança, proíbe a sua entrada e de outras pessoas trans.

No último ano, ela registrou um Boletim de Ocorrência contra ele e moveu uma ação na Justiça. De acordo com ela, o pastor parou um culto quando Mel começou a chorar. Ele declarou que aquilo não era o Espírito Santo, mas “algo demoníaco” e arrastou para fora da igreja com empurrões.

“Senti que Deus me visitou e comecei a chorar. O pastor mandou a igreja se pôr de pé e veio me repreender. Ele chamou os obreiros e ficou mandando o ‘diabo sair’. Quando ele me puxou com aquela agressividade, eu caí de joelho no chão e deu luxação. Eles continuaram me puxando, eu torci o pé, machuquei mais a perna. Meu sangue foi se derramando pela igreja e eles me jogaram na rua”, declara.

Após 20 anos dentro da igreja e batizada no espaço, Mel afirma que tem direito à fé e que tem direito de frequentar o espaço, independente do pastor que está. Porém, o pastor em questão não permite a entrada dela na igreja e nem de outra trans. Mel é proibida até de comprar livros religiosos que são vendidos no templo.



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"Ele já teve preconceito comigo por eu estar na igreja, por eu estar em vigília. Ele não suporta. Ele gostaria que eu cortasse o meu cabelo, usasse calça de homem e andasse como homem. Mas eu seria hipócrita. Que mudança seria essa? Seria uma mentira”, defende.

Mel segue indo até a igreja e fazendo protestos. Em julho de 2015, ela participou do documentário do cineasta Adryellison Maduro, que relatou a violência que sofreu. No dia 13 de outubro deste ano, ela gravou um vídeo com uma mulher trans evidenciando o impedimento de frequentar a igreja.

“Deveriam pregar o amor. Eles estão incitando a violência, como pode? Mesmo com tanta intolerância não é difícil ser crente. Acho que a intolerância deles é por se acharem perfeitos, mas sei que não são. Se ele faz isso comigo está ensinando os outros membros a fazer”, declarou ao site G1.

Apesar da proibição, o Gerente de Direitos Humanos da Prefeitura de Vitória, Dário Sérgio Coelho afirma que aconselha Mel a mover outra ação contra o pastor. “Nós estamos orientando para ela fazer uma nova ação por causa dessa proibição. A Igreja não tem dono e acreditamos que ela tem esse direito”.



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O pastor, cujo nome não foi divulgado, foi procurado pela reportagem do G1 e não quis se manifestar.

Assista ao documentário "Eu, Mulher":

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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