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Suspeito de matar travesti Danielly Barby é policial militar em SP; ele foi preso e liberado


O suspeito de ter matado a travesti Danielly Barby, de 24 anos, em junho deste ano em Mogi das Cruzes, município de São Paulo, foi preso pelos policiais da Delegacia de Homicídios nesta quarta-feira (19) e liberado após uma audiência de custódia na quinta (20). Ele é policial militar, tem 29 anos e foi identificado como George Silva.

O suspeito trabalha em São Paulo e foi identificado no vídeo em que aparece entrando com Danielly em um hotel no dia 25 de junho, minutos antes do assassinato.

Segundo as imagens das câmeras de segurança, dez minutos após entrarem no hotel, o suspeito deixa o local e fica esperando a vítima na esquina das ruas Princesa Isabel de Bragança e Coronel Souza Franco. Danielly sai em seguida, caminha pelo mesmo espaço e é surpreendida com um tiro na cabeça. O assassino corre na direção da estação de trem.


O delegado Rubens José Ângelo afirmou, em entrevista ao G1, que todas as investigações apontam que o homem em questão é mesmo o responsável pelo crime. E que as munições encontradas na casa dele em Mogi das Cruzes são semelhantes à do projétil, ao estojo, encontrado no local do crime. Serão feitos exames de balística para a continuação do inquérito.

Em seu perfil nas redes sociais, George tem postagens contra a 'ideologia de gênero', termo criado por fundamentalista para se manifestar contra a existência das identidades trans. Ele também mostra apoiar candidatos políticos conhecidos por falas transfóbicas e conservadoras. Por outro lado, várias travestis da cidade afirmam conhecê-lo.


Alexandra e Danielly Barby
Ativistas locais fizeram um ato público contra a violência LGBTfóbica e em memória à Danielly. “Não podemos descartar que tal crime bárbaro possa ter motivações de intolerância e discriminação em razão da identidade de gênero da vítima. Estaremos acompanhando as investigações com a Polícia Civil e cobrando das autoridades medidas de segurança, disse Alexandra Braga, do Fórum Mogiano LGBT.

Após ter sido preso por encontrarem munições de uso restrito na quarta-feira (19), na manhã de quinta-feira (20) o suspeito foi encaminhado ao Fórum de Mogi das Cruzes para audiência de custódia, onde teria sido liberado logo depois. A Policia Militar não confirmou à imprensa até a noite de quinta-feira se o suspeito está no presídio Romão Gomes, na capital.

O delegado declarou, contudo, que precisará fazer novas diligências, pedir outros lados periciais e também pedir a prisão temporária do suspeito.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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