Pride

Vereadora eleita, travesti Pâmela Volpy revela sofrer ataques em Uberlândia, MG



.
Por Neto Lucon
Diretamente de Uberlândia, MG

O 2º Workshop Regional da Rede Trans Brasil, etapa Sudeste, iniciou na noite de sexta-feira (21), no Hotel Carlton Plaza, em Uberlândia, Minas Gerais. Na abertura, falou sobre o título do Brasil de ser “o país que mais mata pessoas trans no mundo”. E também sobre os ataques transfóbicos que a vereadora do município Pâmela Volp vem recebendo.

Bastante emocionada, a vereadora eleita declarou que, desde que se elegeu no dia 2 com 1.841 votos, “está sendo retalhada, ofendida” e que chegou a passar por depressão. Segundo a presidente do Triângulo Trans, um político chegou a postar a frase: “Além de preto e traveco, é macumbeiro”.

“Ainda não caiu a ficha de que sou vereadora pelo tanto de ataque que tive. Se eu tivesse matado 200 pessoas lá atrás, eu não seria tão retalhada como estou sendo hoje por ser travesti e vereadora. Vocês não têm ideia do quanto estou sofrendo, tem gay apoiando político evangélico e me atacando. Fiquei depressiva, mas acredito que esse só vai ser mais um degrau”, declarou.

Pâmela é natural de Tupaciguara e aos 20 anos se mudou para Uberlândia, onde trabalhou como faxineira e depois como profissional do sexo. Atualmente, ela finaliza o 3° ano do ensino médico e sonha em cursar faculdade de administração. No cargo de vereadora, promete lutar em prol dos LGBT, mulheres e negros. 


A organizadora Sayonara Nogueira – que também é professora, militante travesti e membro da Rede Trans - declarou que o município é conhecido pelos lindos ipês coloridos, mas destacou que ele também é bastante cinzenta para as travestis e mulheres transexuais.

Jakes Paulo Félix dos Santos, superintendente de ensino, declarou que Pâmela é um incomodo para muita gente da cidade. “Ela é a primeira vereadora trans nessa sociedade elitista e transfóbica, então é claro que as pessoas iriam se revoltar. Não votei nela, mas não deixei de respeitar e de defender. A gente precisa cuidar nesse momento”.
Sayonara Nogueira diz que cidade pode ser cinzenta para travestis e transexuais


.
“MORTES COM CRUELDADE” 

A abertura contou com a presença de autoridades e profissionais que trabalham na área. Dentre elas, Euclides Cabral, diretor do grupo União, Ana Maria Rodrigues, supervisora regional de ensino, que aborda diversidade e inclusão, e Tatiane Araújo, presidenta da Rede Trans Brasil, que discursaram sobre a violência transfóbica.

Tatiane, por exemplo, destacou a importância do trabalho da Rede Trans em apurar os números da violência e morte transfóbica. Tanto pela necessidade de ter dados reais quanto de ter visibilidade no cenário internacional, uma vez que a política brasileira minimiza tais crimes motivados por preconceito. “Nas listas que saíam no GGB, observávamos que 10% das mortes apontadas eram de travestis invisibilizadas como homossexuais pela mídia”, disse.

Segundo a Rede Trans Brasil, até o momento foram 109 assassinatos, 38 tentativas de homicídio, 40 casos de agressão e 10 casos de suicídio.

Euclides parabenizou a presença de membros da Antra – Articulação Nacional de Travestis e Transexuais – como a presidenta Keyla Simpson, e frisou que essa união é importante para a luta contra a violência transfóbica. “Mostra que precisamos nos unir para o segmento crescer. Porque as travestis estão assassinadas e picadas na bandeja, porque as mortes não com uma facada ou um tiro. Elas são realmente cruéis, motivadas pelo ódio. Pelas imagens que recebemos, nem conseguimos dormir”.



.
A abertura também contou com falas de Lauro Ricardo de Lima Santos, enfermeiro mestrando em Saúde Ambiental (UFU) e saúde do trabalhador e pesquisador sobre gênero e sexualidade, Ana Rosa Elias, enfermeira mestranda em saúde do trabalhador (UFU) e coordenadora da UBSF Bom Jesus, Elenita Pinheiro de Queiroz Silva, professora da Universidade Federal de Uberlândia, com ênfase em corpo e sexualidade.

E a presença de militantes históricas como Marcelly Malta, Sissy Kelly, Beth Fernandes, Brunna Valin, dentre outras.


Veja algumas fotos:











Outras fotos você confere na fanpage do NLUCON clicando aqui
ou na página do NLUCON no Instagram clicando aqui.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.