Pop e Art

Vídeo: Grupo de teatro denuncia violência transfóbica aliada ao fundamentalismo religioso


Por Neto Lucon

Os assassinatos de travestis e mulheres transexuais aliados ao fundamentalismo religioso foram tema da performance do grupo mineiro Apoteose na última sexta-feira (21). Eles se apresentaram durante o 2º Workshop Regional da Rede Trans Brasil, etapa Sudeste, em Uberlândia, Minas Gerais.


Vestidos de fundamentalistas religiosos, a atriz Rubia Bernaci e os atores Tiago Augusto e Vitor Rodrigues “invadiram” o espaço que tinha em sua maioria travestis e mulheres transexuais. E tentaram convertê-las.

Ao mesmo tempo em que pregavam e recitavam trechos bíblicos, mortes de pessoas LGBT eram anunciadas e ignoradas. A sonoplastia é de Lais Gaspar. E a peça original é intitulada "Quem haverá de detê-los?"


Após a apresentação, os integrantes afirmaram terem a ideia de fazer a apresentação logo após observarem como as mortes de pessoas LGBT – sobretudo de travestis e mulheres transexuais – eram recebidas nas redes sociais. De acordo com eles, muitas vezes o fundamentalismo religioso procurava justificar os crimes. “A gente via no Facebook que toda vez que alguma transexual ou alguma travesti era assassinada, automaticamente alguém vinha com o versículo da Bíblia para lembrar que aquilo seria um julgamento dos homens de ‘bem’. E a partir disso a gente pensou que a melhor maneira de responder a isso seria trazer esses personagens ‘tão santos’ e tão ‘homens de bem para a cena’ para falar de homofobia e transfobia’”, declarou Tiago.

De acordo com levantamento da Rede Trans e da Ong internacional Trangender Europe, o Brasil é considerado o país que mais mata travestis e mulheres transexuais do mundo.

Assista à performance:

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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