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Após Kayalla Ayalla ser agredida, população de Ilhéus faz manifestação contra transfobia



A travesti Kayalla Ayalla, de 23 anos, foi brutalmente agredida na última terça-feira (01) em Ilhéus, na Bahia. A violência ocorreu por volta das 5h quando a vítima foi abordada por três homens transfóbicos no bairro Malhado.

De acordo com o depoimento, ela recebeu vários socos e chutes na cabeça. Durante a violência os homens também fizeram vários xingamentos transfóbicos e ainda roubaram o celular da vítima.

A imprensa local, bem como o site Fábio Roberto Notícias,  informa que a Polícia Civil já teria identificado os três suspeitos. Mas não deu maiores informações para não atrapalhar as investigações.

Após a agressão, Kayalla deu entrada no hospital de base, em Itabuna, mas acabou ficando em uma maca no corredor do hospital (a foto divulgada na imprensa com autorização da família foi tirada lá). Ela foi transferida para uma unidade hospitalar em Porto Seguro, atualmente está em recuperação e não corre risco de morte.

"Ela já está falando um pouco e já acordou, porém ainda está sem andar por conta dos medicamentos e está se alimentando pela sonda. Ela ainda está muito fraca, mas está bem melhor. Ela não corre risco de morte", informou a amiga Zelza Silva, que é filiada da Antra (Associação Nacional de Travesti e Transexuais) por meio do Facebook.






MANIFESTAÇÃO

Kayalla é bastante conhecida na cidade e o caso revoltou vários moradores. Na sexta-feira (04), várias pessoas se reuniram por volta das 14h, para repudiar a violência contra Kayalla e outras vítimas de transfobia.

A concentração ocorreu no mesmo lugar onde houve a agressão e percorreu as ruas da cidade. Com vários cartazes contra a transfobia, populares e ativistas de direitos humanos pediam maior segurança no local e manifestaram apoio à Kayalla.

“Somos todos por Kayalla”, “O grupo LGBT pede paz”, "Justiça", "Por uma Ilhéus sem LGBTfobia" e “Pela liberdade de assumir nossa identidade de gênero” foram alguns dos cartazes que percorreram a manifestação.


Zelza agradece a participação de todos. "Estamos insatisfeitos e indignados com esse caso. Mas juntos e juntas somos mais fortes", declarou ela, que vem recebendo apoio de autoridades representando a Coorpin de Ilhéus, Secretária de Segurança Pública do Estado da Bahia, a Secretaria de Direitos Humanos, Defensoria Pública do Estado da Bahia e o Ministério Público. 


Que Kayalla consiga se recuperar da violência física e o trauma de ser agredida. E que os agressores sejam identificados e punidos pela violência. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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