Pop e Art

Artista plástico Paulo Bevilacqua pinta corpo de homem trans em capa de revista


Por Neto Lucon

O artista plástico mineiro Paulo Bevilacqua é o responsável pela mais nova capa da revista Sesc Palladium, que traz as programações culturais de novembro em Belo Horizonte, Minas Gerais. Na arte realizada com sanguínea e aquarela, ele traz o tronco de um homem trans nu.

+ Paulo é um dos criadores do TranServiços e do TransEmpregos


De acordo com o artista, que também é homem trans, o convite surgiu da publicação, que deu carta livre para que pudesse fazer o que quisesse. “Deixou ao meu critério, mas avisou da classificação livre. Ou seja, que eu não poderia fazer um homem trans não mastectomizado”.

A imagem foi inspirada na foto de um garoto trans que fez uma selfie e publicou nas redes sociais. O trabalho demorou alguns dias, pois Paulo fez algumas possibilidades diferentes para escolher qual técnica ficava melhor. Detalhe: na versão digital, a capa virou contracapa, porque o ISSUU não aceitou a imagem do dorso nu.

Paulo afirma que escolheu trazer um homem trans no trabalho porque esta população é a mais invisível dentro da população T, até porque uma grande parcela consegue viver em stealth (sem dizer que é trans). Ele destaca a falta de homens trans como candidatos nas últimas eleições e a falta de interesse de médicos em aperfeiçoar cirurgias genitais a homens trans no Brasil.

“Até hoje as cirurgias genitais de homens trans estão em caráter experimental no Brasil. E sempre é reforçado que o resultado é ruim. Se fosse ruim, em lugares como Alemanha, EUA e a maioria dos homens trans conseguiria se operar por planos de saúde? Ou os profissionais de saúde no Brasil não têm interesse em se especializar e aprender novas técnicas genitais para homens trans?”, questiona.


Além do destaque de capa, o artista também foi responsável pela imagem da última página. Trata-se do retrato de um casal formado por homem e mulher trans, ambos negros e norte-americanos

A referência foi uma foto publicada em uma revista, que o artista considerou incrível. A técnica usada foi caneta e aquarela. E o resultado ficou mais incrível ainda!

Ao comentar o que achou do trabalho divulgado em uma publicação nacional, Paulo declara que é a primeira vez que acompanha o processo. E diz que gostou da experiência, do resultado e da visibilidade à população trans.

Ele também faz parte da programação do Sesc. 
No dia 26, ele participa da Roda de Conversa: Arte e Expressividade Trans. Ao lado da atriz transexual Glamour Garcia e a artista plástica travesti Babi Macedo, Paulo discute a arte como forma de expressão, libertação, pertencimento e militância trans.


O ARTISTA

O artista plástico cursou design de produtos na Fumec e Artes Plásticas na Escola Guinard (UEMG). Seus trabalhos, na maioria retratos, pinturas e desenhos realistas, são feitos em técnicas a óleo, aquarela, sanguínea e carvão.

Técnicas vão de óleo, aquarela, sanguínea e carvão
Com sensibilidade e profundidade, ele questiona o óbvio, desvenda a beleza do caos e valoriza as diversas marcas da existência humana. Traz corpos de pessoas trans e travestis e retrata pessoas com histórias e degradações urbanas que atravessam sua vida.

Paulo também é responsável pela criação das plataformas TransEmpregos e Transerviços - projetos voltados, respectivamente, à colocação de pessoas trans e travestis no mercado formal de trabalho e à constituição de uma rede trans-inclusiva e segura de oferta/procura de emprego.

Também foi o responsável pelo logo do NLUCON.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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