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Gato! Athos Souza é o primeiro homem trans a vencer concurso de mister no Brasil


Por Neto Lucon

Athos Souza, de 27 anos, mostrou que manda bem no quesito beleza e desenvoltura na passarela. No último dia 1º, o gato venceu o concurso Mister Diversidade Trans Vale dos Sinos, que ocorreu no Outside Clube, em Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul.

Ao todo foram seis misters, que desfilaram com roupa esporte e social. O primeiro desfile contou com a votação do público, já o segundo contou com os votos dos jurados. Athos foi o candidato que conseguiu mais votos e levou a faixa. Também houve categoria cis. 

Em conversa com o NLUCON, o mister conta que se inscreveu no concurso organizado por Loly Drag para dar visibilidade aos homens trans. E que contou com o incentivo de amigos, que ajudaram a superar a timidez, a desfilar e a ter a melhor postura. Foi a primeira vez que ele participou de um concurso do tipo.

“O que me motivou a participar foi a visibilidade aos homens trans. Infelizmente dentro do próprio meio LGBTI não somos reconhecidos e isso me deixa triste. Foi uma maneira que encontrei de lutar por essa visibilidade, mostrar que existimos sim e que podemos estar em todos os lugares”, declarou.

Veja fotos do concurso:






Profissionalmente, Athos trabalha no setor de marketing de uma academia e é proprietário de uma marca de assessórios chamadas PulserismoInPoa (www.pulserismoinpoa.com).

A INVISIBILIDADE

O jovem afirma que uma das maiores dificuldades dos homens trans continua sendo a a invisibilidade – ou seja, quando esta identidade não é divulgada (da melhor maneira) e reconhecida pela sociedade brasileira, o que dificulta que os próprios homens trans tenham acesso e descubram o nome para o que são. Ele afirma que até os 25 anos nunca havia escutado falar sobre transgêneros.

“Sempre fui avesso a qualquer coisa feminina. Até a minha adolescência, eu achava que era lésbica, porém não conseguia me sentir à vontade. As pessoas me viam como mulher, mas não era assim que eu me sentia”, revela ele, que aos 25 anos escutou falar pela primeira vez sobre homens trans. Nela, o pioneiro João W. Nery aparecia e falava sobre suas experiências.


"Quem não é visto não é lembrado",
diz o vencedor do Mister Diversidade
Para Athos, conhecer a identidade de homem trans foi um divisor de águas, pois finalmente ele conseguiu entender o que era. “Comecei a ler sobre o assunto, pesquisar sobre pessoas trans no Brasil. Aos 26, procurei os meios para iniciar o meu tratamento hormonal e, quando consegui, foi libertador. Parecia que estava nascendo de novo e tendo a chance de viver como eu realmente me sentia”.

Ao contrário do que acontece com grande parte dos homens trans, Athos afirma que não sofreu preconceito ao se revelar homem trans. Ele afirma que a família, amigos e a namorada (sim, ele namora há cinco anos!) aceitaram tranquilamente a transição de gênero. Quando rola algum contratempo, ele diz que procura superá-lo levando informação. 

QUILOMETROSSEXUAL

O mister afirma sempre foi muito vaidoso, mas que os cuidados com a aparência aumentaram depois que ele iniciou a hormonioterapia. “Sempre fui envolvido com esporte desde pequeno, mas hoje em dia com a questão dos hormônios eu me preocupo muito com o meu corpo e com a minha saúde”.

Os cuidados atuais consistem em uma alimentação regrada, produtos para a pele (ele temia que surgisse muitas espinhas devido aos hormônios) e cabelos. “Brinco que não sou metrossexual, sou quilometrossexual”, ri.

Primeiro homem trans eleito em um concurso de mister no Brasil, Athos cogita participar e apoiar outros concursos. "Caso venha a ter um estadual ou até mesmo em Porto Alegre farei questão de comparecer e apoiar". E acoselha outros homens trans a fazerem o mesmo. "Até porque a beleza entre os homens trans é diversa", defende.




“Precisamos botar a cara a tapa e aparecer, mostrar que nós existimos. Pois uma coisa que eu sempre digo é ‘Quem não é visto não é lembrado’. Se orgulhem de ser homens trans, pois é esse empoderamento que precisamos para ter a visibilidade que tanto lutamos”, finaliza o gato.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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