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Audiência do caso da travesti Laura Vermont é remarcada para março de 2017



Por Neto Lucon

A segunda audiência de instrução em continuidade do caso da travesti Laura Vermont, que ocorreu às 14h dessa segunda-feira (28), no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo, acabou sendo redesignada para março de 2017.


De acordo com a advogada da família da vítima, Carolina Gerassi, a alteração ocorreu porque algumas testemunhas não foram localizadas pelo oficial de justiça para a audiência e são consideradas imprescindíveis.

“O Ministério Público, a Defensoria e a assistência de acusação pediram vista nos autos para verificar se vai desistir de ouvir essas testemunhas ou se vai insistir. A assistência de acusação já insistiu em uma e essa testemunha precisa ser localizada”, declarou. Ela explica que o interrogatório dos réus é o último ato processual.
Laura Vermont

Laura Vermont é a travesti de 18 anos que foi brutalmente agredida e assassinada em junho de 2015 na Zona Leste de São Paulo. Câmeras de segurança mostram a violência e os acusados: Van Basten Bizarrias de Deus, Iago Bizarrias de Deus, Jefferson Rodrigues Paulo, Bruno Rodrigues de Oliveira, Wilson de Jesus.

Eles chegaram a a admitir a agressão e ter a prisão preventiva decretada, mas passaram a responder por homicídio doloso – ou seja, quando há intenção de matar – em liberdade. O caso também traz a má conduta policial, que ao socorrer Laura acabou dando um tiro nela e forjando uma testemunha no Boletim de Ocorrência. 

O IML apontou que a causa da morte foi traumatismo craniano, causado por agente contundente.

FAMÍLIA PROTESTA

Durante a segunda audiência, a família, amigos e ativistas LGBT se reuniram em frente ao Fórum para protestar contra a impunidade sobre o caso e os crimes de transfobia. Os participantes levaram faixas e conversaram com a imprensa sobre o crime.

“Eles já confessaram o que fizeram, tem vídeo, tem tudo, por que eles não estão presos? Nós estamos aqui por justiça”, declarou Zilda Vermont, mãe da Laura, a quem ela chama de dengo. “Estou a base de calmante, está sendo muito difícil, pois o que eles nos tiraram foi muito importante”, declarou.

Assista ao vídeo:



A militante travesti Kimberly disse que a morte de Laura levou uma parte de todas as travestis e transexuais. Dêmily Nobrega afirmou que esteve presente para combater a transfobia. E Adriana da Silva frisou que é preciso acabar com os assassinatos de travestis e mulheres transexuais do país.

O ato também contou com a presença das Mães pela Diversidade e da Família Stronger. “Tirar a vida de uma pessoa por ódio é algo que não se faz. Estamos aqui por justiça”, declarou Clarice Cruz Pires. “Está ocorrendo um genocídio, pois o Brasil é o país que mais mata travestis e transexuais”, disse Majú Giorgi.

Zilda afirma que muitos casos de morte e violência por transfobia são invisibilizados porque as famílias também têm preconceito e preferem esconder. “Vamos acabar com o preconceito, vamos à luta. Me ajudem a fazer justiça. Vamos colocar os assassinos na cadeia”, declara ela, que pretende fazer uma nova manifestação no próximo ano.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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