Pop e Art

Cantora trans Valéria Houston revela que faz extra como diarista para manter a carreira


Por Neto Lucon

“Artistas são tratados como supérfluos. Se está ruim o orçamento, corta a cantora. E assim fica difícil ser artista, difícil ser trans e difícil de existir”, declara Valéria Houston, artista trans que venceu o Festival de Canção Francesa, se apresentou em palcos no Brasil e fora. E que acaba de contar aos seguidores no Facebook que faz um extra como diarista para seguir a carreira.

Mas o que seria motivo de orgulho, passou a ser visto como demérito por pessoas próximas. Tanto que Valéria chegou a pedir para que parassem de encarar o trabalho como algo depreciativo.  E parem de encher o saco como se isso fosse um demérito. Esse trabalho me possibilita ganhar um extra e continuar viajando e fazendo shows”, desabafou ela, que mora em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.

Em conversa com o NLUCON, a artista revelou que levou dois grandes calotes recentemente e que precisava complementar a renda. “Fui contratada por um mês inteiro por cinco mil reais. Fechei minha agenda, mas fiz a besteira de confiar sem um contrato. Fiz um show, que não recebi, e os outros ficaram na história”, declarou ela, que diz estar feliz com o novo trabalho e a possibilidade de dar continuidade em seus projetos. 

De acordo com Valéria, o espanto e o preconceito que sentiu pelo trabalho de diarista ou arrumadeira se dá porque “costumam glamourizar demais as artistas” e “desmerecer o trabalho do povo da linha de produção, garis, diaristas”. “Feio é a situação política desse país, é a transfobia e é o racismo que oprime. Trabalhar é lindo e digno”, defende. “Poderia estar fazendo outros trabalhos, atendendo, depilando, até mesmo me prostituindo – que, sim, é uma profissão que tem que ser muito respeitada – mas resolvi fazer isso por mim”.

Assista ao clipe da música Controversa:




HOJE DIARISTA, AMANHÃ DIVA NO PALCO

Valéria diz que uma artista deve mesmo estar em cima do palco, mas que deve primeiramente ser valorizada para isso. E, que por meio dessa experiência, defende que qualquer outro trabalhador também merece ganhar bem em suas respectivas áreas. 

Aos fãs ou admiradores, ela diz que continuará sendo a mesma artista sincera e verdadeira, "cantando até com a vassoura na mão" e correndo atrás dos seus objetivos com muita dignidade. Sim, a carreira continua! 

"Estou me sentindo na história da gata borralheira"
“Os valores que aprendi em casa nunca vão mudar. Aprendi que trabalhar é digno e que a gente tem que fazer o melhor sempre. Hoje sou diarista, arrumadeira e amanhã sou uma diva no palco. Estou me sentindo na história da gata borralheira (risos)”.


Uma vez por mês ela faz um show no Rio de Janeiro e continua com agenda em todo o Brasil (saiba a programação por meio das redes sociais de Valéria clicando aqui). 

O último show foi com ninguém mais ninguém menos que Simone Mazzer.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Tecnologia do Blogger.