Pop e Art

Festival em Recife traz cinco travestis e mulheres trans como apresentadoras oficiais


Por Neto Lucon

A 4ª edição do Recifest, que se encerra nesse sábado (19), vem apostando na visibilidade trans durante todo o Festival da Diversidade Sexual e de Gênero. Tanto que trouxe durante os cinco dias de evento cinco travestis e mulheres transexuais no posto de apresentadoras oficiais.

Foram elas: a assessora parlamentar Fabiana Melo Oliveira, a advogada Robeyoncé Lima, a estudante de serviço social Maria Clara de Sena, a engenheira agrônoma Maria Daniela Mendonça Silveira e a artista multimídia Giu Nonato. Cada uma delas se destacou em suas áreas profissionais e arrasaram nas apresentações.

Fabiana destacou a necessidade de mostrar a população trans ocupando todos os lugares. “Isso mostra que nós, apesar de sermos constantemente marginalizadas e excluídas, estamos ocupando os espaços, servindo de representatividade LGBT e que a nossa luta está sendo vista. Sim, são as mulheres trans que estão fazendo o evento acontecer como apresentadoras”, disse ela que abriu o evento na terça-feira (15).

Maria Daniela agradeceu o convite para participar e comemorou a iniciativa do Festival. "Trazer na apresentação travestis e mulheres transexuais é importante para a visibilidade da nossa população", declarou ela, que estará participando também da Roda Livre, narrativas da transgeneridade e da travestilidade na mídia hegemônica. Ela ocorre neste sábado (19), às 16h, no Clube Metrópole (Rua das Ninfas, 125).

Fabiana quer que trans estejam em todos os lugares
Maria Daniela também comemorou a visibilidade às travestis e mulheres trans
Maria Clara diz que Festival resiste ao momento político de retrocesso

Maria Clara declarou que a visibilidade da diversidade de gênero promovida pelo Recifest é importantíssima. “Ver lotado este cinema tão significativo para Pernambuco, que é o São Luiz, e ver as meninas trans apresentando é dizer que estamos no caminho certo e que temos que insistir. Sobretudo neste momento de retrocesso político”, declarou Maria Clara, que apresentou na quinta-feira (17). Ela tem cargo no Mecanismo de Prevenção e Combate à Tortura, órgão pernambucano que segue recomendações da ONU.

Já Robeyoncé, que foi a primeira mulher trans aprovada no exame da OAB-PE, falou sobre a importância de visibilizar travestis e mulheres trans no evento. E destacou a necessidade de incluir os homens trans em outras iniciativas. “Já que estamos falando de diversidade de gênero e de transexualidade de maneira geral, a gente pode dar destaque para as mulheres trans e também incluir os homens trans, que sempre falam que são invisibilizados, em alguns dias”, sugeriu. Ela apresentou na quarta-feira (16).

A programação do Recifest finaliza neste sábado (19) com a apresentação de Giu Nonato. Ela é uma travesti paulistana de 22 anos, que trabalha com projetos de fotografia e cinema mobile (feitos com smartphone). Após assumir a sua identidade de gênero, foi expulsa do mercado formal de trabalho. Decidiu dedicar-se à arte e criou o Projeto Margem, que retrata sua realidade marginal bem como as das pessoas com quem convive - igualmente marginalizadas. 


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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