Pop e Art

Grife traz modelos trans, plus size e com down em nova coleção "Anormalize-se"


Por Neto Lucon (25/11/2016)

A grife de camisetas Regateria Urbana, que é formada majoritariamente por mulheres no interior de Minas Gerais, está com uma coleção com estampas descoladas, originais e modernas que evoca respeito às diferenças, a liberdade do corpo e questiona os padrões impostos.

Em Anormalize-se, pessoas trans, negra, com down, gay, cadeirante, plus size, madura (...) posam para a marca, são valorizadas pelo que são e evidenciam o belo de suas particularidades. Na página do site, elas também contam as suas histórias, derrubando a distância entre rótulo e vida real.

“Acreditamos em uma sociedade mais justa e inclusiva, que respeite a liberdade das pessoas e dos seus corpos. Estamos dispostas a colaborar com um novo mundo, em que os moldes da moda e os padrões impostos serão deixados para trás. E refletimos tudo isso em estampas cheias de atitude e originalidade”, diz o informativo da marca.

"Campanha é passo importante para inclusão"
Leila Souza, por exemplo, é uma das modelos e fala sobre a sua vivência trans, a faculdade de geografia, os desafios e vitórias que conquistou em Andradas. "A transição é uma coisa lenta, um passo de cada vez, uma alegria a cada dia. Um dia uma unha pintada, no outro uma calça mais apertada, no outro um sutiã", relata ela na página, vestindo a regata com a estampa "Teu machismo bate na minha pomba e gira".

Ao NLUCON, ela afirma que foi convidada por intermédio de um amigo fotógrafo e que, além de realizar o sonho de modelar, também sentiu-se feliz em participar pelo objetivo inclusivo da campanha.

“Sinto que a campanha é um passo importante para incluir todos e todas que são considerados diferentes, a visibilidade das minorias e o empoderamento da mulher, principalmente aqui no interior. Uma marca que tem coragem e muita personalidade, sempre valorizando a beleza das diferenças”, declarou Leila.

A campanha também conta com Tatiane Rotelli, uma garota com down, que é formada em gastronomia e que irá abrir um restaurante. E com João Guilherme, que é cadeirante e que trocou o sonho de ser jogador de futebol pelo jornalismo. "Não sou normal ou diferente ou tonta. Sou a Tati, não gosto de quem tem preconceito, porque quem tem não é feliz, não consegue viver, fica preocupado em achar defeitos nos outros. Sou feliz". Vrááá!

Confira algumas peças:





Vale destacar que a Regateria também frisa que todas peças vestem todo mundo, independente de gênero. Elas variam de R$55,90 a R$64.

Confira as histórias e outras peças clicando aqui

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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