Pride

Indianara Siqueira sofre ataque transfóbico no Rio: “Não conseguiram me calar”


Por Neto Lucon

Indianara Siqueira, militante, profissional do sexo e suplente a vereadora no Rio, sofreu um ataque transfóbico na madrugada do dia 13, logo após sair de uma confraternização do PSOL e tomar drinks com amigas travestis na rodoviária de Campo Grande, zona oeste.

Em seu relato, ela afirma que assim que pegou o ônibus foi abordada por quatro homens que a levaram para frente da porta, roubaram a bolsa, a jogaram e depois a perseguiram. “Chovia muito e consegui me embrenhar em um matagal”, declarou.

Com as pernas sangrando, Indianara tentou pedir carona, mas foi somente um taxista que parou e a socorreu. Ela foi cuidada pelo marido, Mauricio, e ao acordar diz que sentiu muitas dores nas pernas. “Não conseguia andar, as pernas estavam muito inchadas e dormia muito”. Agora, ela já está andando sem apoios.

Indianara alega que tem certeza que não se trata de um “mero assalto” e que a violência foi ocasionada sobretudo por transfobia. “Eles sabiam quem eu era e só se preocuparam de levar a bolsa pouco antes de me jogarem para fora do ônibus. Também me xingaram de viado, traveco, enfim, quem passou por isso sabe como é”.



Em conversa com o NLUCON, ela afirma que pretende registrar um boletim de ocorrência, fazer corpo de delito, mas diz que só tem saído de casa na companhia de dois cachorros rottweilers. “Está sendo aterrorizante. Não consigo dormir antes do dia amanhecer e qualquer barulho já acordo assustada”, afirmou.

A militante que se denomina travestigenere - uma pessoa de peito e pau - afirma que o importante é que o “cistema opressor LGBTIQFóbico saiba que ela está viva”. “Ainda não foi dessa vez que conseguiram me calar e parar. Estou viva e isso faz toda a diferença”. Sim, um símbolo importante de resistência trans. 

Que Indianara consiga se recuperar fisicamente e psicologicamente. E que os agressores sejam identificados e punidos. 

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

0 comentários:

Tecnologia do Blogger.