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“O pai que não sai do armário assina o atestado de óbito do filho LGBT”, diz Avelino Fortuna


Por Neto Lucon

O agrimensor aposentado e ativista do Mães Pela Diversidade Avelino Fortuna, de 60 anos, participou do 4º Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero – em Recife. E falou na última terça-feira (18) sobre o crime homofóbico que afetou a sua família: o filho Lucas Fortuna foi assassinado por homofobia em 2012.

O triste caso ocorreu em 18 de novembro de 2012, quando o jovem jornalista e árbitro de futebol foi encontrado boiando na Praia de Calhetas, em Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco. Em seu corpo, marcas de extrema violência e a certeza do crime praticado por ódio à orientação sexual. 

Avelino declara que a morte do filho o fez sair da zona de conforto, engrossar a militância contra a LGBTfobia e conscientizar principalmente os pais. “Já que ele e a mãe dele eram militantes, tive que encarar essa luta. Estou no coletivo Mães Pela Diversidade para ver se conseguimos tirar o maior número de pais no armário. A gente entende que a primeira violência que um LGBT é vítima é dentro da própria família. E a gente precisa reverter esse quadro, uma vez que já encontramos violências na rua afora”.

Avelino recebeu o troféu Rutílio de Oliveira
Após um vídeo produzido pela ONU (Organização das Nações Unidas) para o Dia dos Pais, que foi exibido no Festival, ele afirma que espera que num futuro próximo todos os pais de filhos LGBTs também estejam fora do armário. Ou seja, que eles lidem, conversem e tratem com naturalidade a orientação sexual e identidade de gênero de seus filhos.

 “Para mim, o pai que não sai do armário assina o atestado de óbito do filho. O meu filho sempre dizia: ‘Homofobia mata’, repetia sempre três vezes, mas a gente nem imaginava que ele pudesse ser uma vítima de homofobia”, declarou.

Na militância e no contato com outros LGBTs Avelino tenta assoprar as marcas profundas que ficaram no coração. “Eu não criei um filho para mim, mas para a sociedade. E essa sociedade é responsável pelo meu filho. Assim como eu, enquanto sociedade, sou responsável por qualquer outro filho. É por isso que eu digo: meu filho se foi, mas ele me deixou um milhão de filhos. Eles me dão a energia vital que meu filho LGBT me ensinou a receber. E essa energia tem o nome que eu chamava a minha mulher: amor”.

Ele ainda frisa que gostaria que todos os pais conseguissem entender que ter um filho ou filha LGBT não é algo triste: “pode ser a maior alegria do mundo”.

Assista ao vídeo:






About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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