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Phedra de Córdoba é tema das Satyrianas e terá cinzas lançadas em espetáculos


Por Neto Lucon
Foto: André Stéfano

A diva trans Phedra de Córdoba, que morreu em abril aos 77 anos, será homenageada na 17ª edição do festival Satyrianas, que inicia neste sábado (12) vai até terça-feira (15) na Praça Roosevelt, centro de São Paulo. A entrada é “pague quanto puder”

Em “Phedra de Todas as Cores”, comandado pelo ator e produtor cultural Gustavo Ferreira, quase 600 apresentações de teatro, música, cinema, dança, circo, dentre outras manifestações artísticas serão apresentadas em 78h. O evento é criado por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez.

No sábado, às 20h, ocorre o Desfile Bapho com Phedra, com a curadoria de Bia Pieratti Bueno e Carol Raissman. Amigos e outros artistas vão vestir as roupas usadas por Phedra nos espetáculos do grupo Satyros – que vão das apresentações de dança flamenca, danças de vedete até os últimos espetáculos.

No domingo (13), o show “Phedras por Phedra” volta a emocionar. Ele, que já foi apresentado na presença de Phedra, traz músicas e momentos que percorrem a eclética carreira da atriz. A direção é de Robson Catalunha e conta com Gero Camilo, Maria Casadevall e Paula Cohen no elenco.
Espetáculo Phedras por Phedra

Na terça-feira (15), às 19h, terá a estreia do espetáculo "Entrevista com Phedra", do jornalista Miguel Arcanjo Prado, com direção de Juan Manuel Tellategui. Inspirada nas entrevistas que Phedra deu a Miguel, a obra aborda o encontro entre a diva e um repórter em seu apartamento. Phedra será interpretada pela atriz cis Livia La Gatto e o Miguel será o personagem de Raphael Garcia.

Dois documentários sobre Phedra também serão exibidos na terça-feira, na sede da SP Escola de Teatro (sede Roosevelt). Phedras por Phedra.doc, às 1h20. E Cuba Libre, que será exibido às 3h30.



Também vai rolar a intervenção Phedrices, em que três pessoas vestidas de Phedra vão vender beijos durante a festa. A ideia é de que todos fiquem com um “beijo da atriz” no rosto e que doem o dinheiro para uma instituição que luta pela causa trans. A instituição em questão não foi mencionada.
André Stefano

Em frente ao Satyros, há uma imagem Phedra em tamanho real. A foto foi tirada por André Stefano e a arte foi do ator Thiago Mendonça


Para os desavisados, Phedra foi uma grande artista cubana radicada no Brasil que conquistou a ala teatral. Em Havana, se destacou como bailarino. Veio ao Brasil a convite de Walter Pinto, na década de 50, assumiu a transexualidade e fez sucesso como vedete no teatro de revista. Em 2003 foi descoberta pelos Satyros, tornando-se a maior diva do grupo. Também protagonizou filmes e documentários.

Confira entrevista que fizemos com ela em 2014 e saiba mais: "Ser quem sou era o meu grande sonho"


AS CINZAS

O diretor Ivam Cabral anunciou em Facebook que irá lançar parte das cinzas de Phedra durante seis espetáculos nas Satyrianas. A outra será arremessada no Malecón, em Havana, cidade onde Phedra nasceu.

“Sou o guardião das cinzas da Phedra. Desde que chegaram do crematório, ficam comigo, no meu armário. Hoje, comprarei luvas cirúrgicas, sacos transparentes (os mais bafos que encontrar) e irei separá-las.

Primeiro , em duas metades. Uma dessas metades vai para Havana, para que seja arremessada no Malecón. Como ainda não sei como fazer isso, ficará no meu armário. A outra, dividirei em seis lotes que distribuirei para as produções de seis espetáculos para que sejam lançadas durante suas exibições nas Satyrianas.



Nos últimos muitos anos, fui uma espécie de pai da Phedra. Cuidava das coisas reais (e banais) da vida dela. Afinal, uma estrela não tem que se preocupar com aluguel, conta de luz e telefone. Fiz isso com o maior amor do mundo. Agora nossa relação material se encerra. Minha menina voará pelo mar e pelos teatros”.

A PROGRAMAÇÃO

As Satyrianas inicia com o bloco carnavalesco Domingo Ela Não Vai, do jornalista Alberto Pereira Jr. e do programador cultural Rodrigoh Bueno, com os sucessos do axé dos anos 90.

Em seguida, ocorre uma apresentação dos Dzi Croquettes, o espetáculo Ópera Urbe, com texto de Carlos Zimber e direção de Rogério Tarifa. E os shows de Tchaka, Leona Jhovs e Renata Peron.

Até a terça-feira, a programação conta ainda com Liniker, As Bahias e a Cozinha Mineira, Karina Buhr, Deena Love... Além da projeção de filmes ao ar livre e muitos espetáculos e intervenções artísticas sendo apresentadas.

Você pode conferir a programação completa clicando aqui

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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