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Programação do 4º Recifest promove visibilidade trans e contempla verdadeira diversidade


A 4ª edição do Recifest – Festival da Diversidade Sexual e de Gênero – que ocorre entre os dias 15 e 19 de novembro, sempre às 19h, no Cinema São Luiz, no bairro Boa Vista, centro de Recife, está com uma programação diversificada, aprofundada e que contempla a verdadeira diversidade LGBT. Também haverá forte presença trans, nos temas nos filmes e participando. 

Ao todo são 27 filmes, dentre longas-metragens, curtas internacionais, nacionais e pernambucanos, lançamentos de livros, performances, debates, apresentações de teatro e dança. A entrada é gratuita. Dentre os destaques, está o documentário Divinas Divas, de Leandra Leal.

O documentário aborda as histórias incríveis de algumas das primeiras artistas travestis e transformistas que fizeram sucesso no Brasil em plena ditadura militar: Rogéria, Jane Di Castro, Divina Valéria, Camille K, Fujika de Halliday, Eloína dos Leopardos, Marquesa e Brigitte de Búzios. Após 50 anos de carreira, elas se reencontram para o documentário, para ensaios e para um show de muitas emoções.

O Recifest também traz o filme "Amores Santos", de Dener Giovani na programação. Ele fala sobre a relação de líderes religiosos com homens gays através da internet. O longa escancara o discurso de ódio e homofobia desses clérigos em contraposição ao sexo virtual. Além dos longas o festival ainda apresenta as mostras competitivas nacional e pernambucana, além de programas de curtas internacional e de animação, fora de competição.
Amores Santos

A curadoria das mostras competitivas é do doutor em Estudos Cinematográficos e crítico, Alexandre Figueirôa e da Mestre em Gestão Pública e documentarista Clara Angélica. O diretor e curador do Rio Festival de Gênero e Sexualidade Alexander Mello é o curador da sessão de curtas internacionais e de animação. 

Os homenageados desta edição são a atriz transexual Phedra de Córdoba, cubana radicada no Brasil que tornou-se diva do grupo Satyros, em São Paulo. E o crítico de cinema Christian Petterman - falecidos no começo deste ano.

Vale ressaltar que antes das apresentações dos filmes o festival apresentará performances que dialogam com a temática LGBT. No mezzanino do cinema, os estilistas pernambucanos Chico Marinho e André Aguiar estarão expondo e vendendo suas criações.

Destaques da programação

Os trabalhos iniciam na terça-feira, 15 de novembro, com o lançamento do livro “Homoafetividade e as Religiões: Educando Pela Diversidade”, de Jorge Arruda, às 18h. Uma hora depois é a vez de realizar a lavagem da calçada do cinema São Luiz. A abertura acontece às 19h30, com o filme "Amores Santos", de Dener Giovanini, que será precedido de apresentação pocket do espetáculo “Ossos”, de Marcelino Freire, pelo Coletivo Angu de Teatro.

Esta primeira noite será apresentada por Fabiana Melo Oliveira, assessora parlamentar, estudante de psicologia e militante da Amotrans - Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco. Após a exibição haverá debate com o diretor do longa.

Na quarta-feira, 16/11, o IV Recifest começa com o lançamento do livro "Cinema Noir. A sombra como experiência estética e narrativa", de Bertrand Lira, seguida da apresentação musical "#acordefrida: sapatômico", com Madalena Rodrigues e Juliane Pires. Após isso, serão apresentados os curtas internacionais em parceria com a Div.a - Diversidade em Animação. A apresentação deste segundo dia será de Robeyoncé Lima, formada em Direito pela UFPE e primeira mulher trans aprovada no exame da OAB-PE.
Acima Eloína, Maria Clara Sena e  Robeyoncé, 
Abaixo, Fabiana Melo, e Giu Nonato

Na quinta-feira, 17/11, a programação começa às 18h30 com o lançamento dos livros "Gays, lésbicas e travestis em foco: sobre sociabilidade e acesso à educação e saúde" e "HIV e Aids: Desafios rumo a 2030", organizados por Luís Felipe Rios, Luciana Fontes e Tacinara de Queiroz

Na sequência, será realizada apresentação de dança, com o espetáculo "ämämä mämäm", do bailarino André Aguiar, às 19h30. Em seguida o público participa de um debate com a mulher travesti Maria Clara de Sena, que conquistou o Prêmio “Claudia 2016” na categoria Políticas Públicas, se tornando a primeira travesti a receber esse reconhecimento, criado há 21 anos. Na continuidade haverá a mostra competitiva pernambucana.

Na sexta-feira, 18/11, a abertura será realizada com a exibição do vídeo sobre o sr. Avelino Fortuna, pai do jovem jornalista e árbitro de futebol, Lucas Fortuna, que, aos 28 anos, foi assassinado cruelmente. O corpo foi encontrado boiando na Praia de Calhetas, em Cabo de Santo Agostinho, Pernambuco. Desde o acontecimento, Avelino apoia pais e mães que não sabem lidar com a orientação sexual e afetiva dos filhos gays, lésbicas e bissexuais, bem como com as identidades de gênero trans. Essa roda de apoio coletiva é um projeto do grupo Mães pela Diversidade, que Avelino faz parte. 

A noite será apresentada por Maria Daniela Mendonça Silveira - mulher transexual, lésbica, engenheira agrônoma, funcionária pública. Na sequência haverá a mostra competitiva nacional, seguida de conversa com os diretores.

No sábado, 19/11, a noite de encerramento começa com apresentação do "Projeto margem", de Giu Nonato, travesti paulistana de 22 anos. Giu trabalha com projetos de fotografia e cinema mobile (feitos com smartphone) e está escrevendo o primeiro livro. Logo após, a Comissão Julgadora e a Fepec - Federação Pernambucana de Cineclubes - anunciarão os filmes premiados e a noite encerra com o documentário musical "Divina Divas".
Curta Faz que Vai

EXTRAS

Durante a programação, haverá alguns eventos e atividades extras como o curso de Drag Queen (DCQ) Zecarlos Gomes, que ocorre do dia 14 a 18 de novembro, das 13h30 às 17h30, no Miami Pub (Av. Manoel Borba, 693, Boa vista).

O festival também passa pela Ocupação UFPE, no dia 16, às 17h. Haverá um Cine-Debate com os filmes premiados nas edições anteriores (2013, 2014 e 2015). A UFPE está localizada na Av. da Arquitetura, s/n.

Além de uma Roda Livre no dia 19 às 16h. O debate será sobre as Narrativas da transgeneridade e da travestilidade na mídia hegemônica. A roda conta com a participação de Amanda Palha, Neto Lucon, Maria Clara de Sena, Maria Daniela e Petrhrus Tiburcio. Será realizado no Clube Metrópole - Rua das Ninfas, 125, Boa Visa.

Por fim, a festa de encerramento no dia 19 às 22h, no Miami Pub.

Comissão Julgadora

O júri oficial é presidido pela montadora e jornalista pernambucana, Natara Nery, e tem como membros a montadora e diretora de cinema, Maria Cardozo; a criativa Giu Nonato; o diretor dos festivais Curta Taquary e Criancine, Alexandre Soares Taquary; e Igor Travassos, representante da Associação Brasileira de Diretores (ABD) e da Associação para Educação De Crianças Inadaptadas (Apeci). A Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec) também participa com a comissão julgadora composta por Aroma Bandeira, cineclubista e educadora social do Cine Guiné; Iris Regina Gomes, do cineclube Bamako; Raquel de Melo Santana do cineclube Fazendo Milagres. A Fepec premia a obra que tem como foco o debates e a discussão, sendo assim considerado de fundamental importância para a formação de público e estímulo à prática e ao olhar cineclubista.





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Serviço
Recifest - IV Festival da Diversidade Sexual e de Gênero
Quando: 15 a 19 de novembro
Onde: Cinema São Luiz, Rua da Aurora, Rua da Aurora, 175, Boa Vista, Recife

Entrada: Gratuita
Horário: A partir das 19h
https://www.facebook.com/Recifest
http://recifest.com/


VEJA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

TERÇA, 15/11
18h - Lançamento do livro: "Homoafetividade e as religiões: Educando pela Diversidade", de Jorge Arruda
19h - Lavagem da calçada do São Luiz
19h30 - Abertura: Teatro: Fragmento do espetáculo "Ossos", de Marcelino Freire, pelo Angu de Teatro + Longa: Amores Santos, de Dener Giovani

QUARTA - 16/11
18h- Lançamento do livro: Cinema Noir: A Sombra como experiência estética e narrativa, de Bertrand Lira
19h30 - Abertura Música: Espetáculo "#acordefrida: sapatômico", de Madalena Rodrigues e Juliana Pires + Mostras curtas internacionais e Div.A

QUINTA - 17/11
19H30 - Abertura: Dança - espetáculo "ämämä mämäm, de André Aguiar + Mostra competitiva pernambucana

SEXTA - 18/11
19H30 - Abertura: Representatividade - Vídeo sobre Sr. Avelino Fortuna, do Mães pela Diversidade + Mostra competitiva nacional

SÁBADO - 19/11
19h30 - Abertura: Audiovisual - Projeto Margem, de Gui Nonato + Divinas Divas, de Leandra Leal

Seleção de curtas internacionais + Div.A
- A Night in Tokoriki, de Roxana Stroe (Romênia)
- The Wayward Carnality, de Joanna Maria Wókcik (Polônia)
- Lucid Noon, Sunset Blush, de Alia Logout (EUA)
- Elise, de Evan Sterrett e Jo Bradlee (EUA)
- Máscaras, de David San Juan (Bélgica)
- Float, de Sam Berliner (EUA)
- All Their Shades, de Chloé Allienz (Bélgica)

Mostra competitiva pernambucana
- Quarto para alugar", de Enock Carvalho e Matheus Farias
- Faz que vai, de Bárbara Wagner e Benjamim de Burca
- Um brinde", de João Vigo
- Angu.doc, de André Brasileiro e Vinícius Vieira
- Irma - Era uma vez no sertão, de Camilla Lapa e Lorena Arouche
- Nena cajuína, de Almir Guilhermino
- Milagres, de Adalberto Oliveira
- Transexualidade masculina, de Lucio Souza, Emannuel Nascimento, Bianca Pereira e Giselle Cahú.

Mostra competitiva nacional
- Canto da sombra", de Thiago Kistenmacker (RJ)
- Ingrid, de Maick Hannder (RJ)
- O chá do general, de Bob Yang (SP)
- Rosinha, de Gui Campos (DF)
- Se o mundo acabar, me dê um toque (SP/Bélgica)
- Horizonte de eventos, de Gil Baroni (PR)
- Lovedoll, de Debora Zanatta e Estevan de La Fuente (PR)
- Onde é aqui", de Mateus Capelo (SP)
- Aquela estrada, de Rafael Ramos (AM)
- Antes da encanteria, de Elena Meirelles, Gabriela Pessoa, Jorge Polo, Lívia de Paiva e Paulo Victor Soares (CE).

Longas
- Amores Santos, de Dener Giovani
- Divinas Divas, de Leandra Leal


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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