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Público elege curta sobre homem trans no Recifest; saiba outros premiados


Por Neto Lucon
Diretamente de Recife

“Transexualidade Masculina” foi eleito na noite de sábado (19) o “melhor curta pernambucano” pelo voto popular na quarta edição do Recifest – Festival de Cinema da Diversidade Sexual e de Gênero, que ocorreu no Cinema São Luiz, em Recife. Ele também ganhou menção honrosa do júri oficial.

Dirigida por Lucio Souza, Emannuel Nascimento, Bianca Pereira e Giselle Cahú, a obra de 17 minutos traz uma entrevista com o homem trans Dante Olivier, pouco depois de ele se descobrir homem trans, contar para a família e refletir sobre a sua identidade.

Com estética minimalista, o curta traz a fonte em frente a um fundo preto e investe somente na imagem do personagem e no discurso do mesmo. Ele é dividido por temas que atravessam a vivência trans – bem como família, tratamento hormonal e universidade. E sua premiação mostra sobretudo a vontade do público em tal temática. 

Em entrevista ao NLUCON, Dante afirma que esteve bem nervoso ao se ver na tela do cinema, mas que considera o trabalho importante para dar visibilidade aos homens trans. “É estranho me ver antes da transição. É como se estivesse vendo uma foto de pré-adolescente. Mas vejo que muita coisa que falei ali continua valendo até hoje. É um trabalho importante”.
Eloína dos Leopardos e Jane de Castro foram homenageadas

A noite contou com a apresentação da artista multimídia e travesti Giu Nonato, que exibiu o Projeto Margem. E com a estreia do filme Divinas Divas, de Leandra Leal, que aborda a trajetória das primeiras artistas travestis e transformistas do Rio de Janeiro.

As artistas Jane de Castro e Eloína dos Leopardos estiveram presentes e receberam uma homenagem do Festival. “Se não fôssemos nós lá atrás, os LGBT da nova geração, festivais LGBT e outros espaços não estariam e não existiriam hoje em dia”, declarou Jane. Eloína pediu para que as novas travestis e mulheres transexuais estudem para que possam ocupar todos os lugares. Durante todo o filme, as performance e declarações foram aplaudidas pelos presentes.


OUTROS PREMIADOS

Ainda falando sobre questões envolvendo gênero, o curta “Ingrid” – de Maick Hannder - teve menção honrosa no curta nacional. Ele aborda o discurso e o corpo de Ingrid, que fala sobre a construções, identidade e vivências, mostrando-se completamente nua no final. 
E reafirmando a possibilidade real e linda de uma mulher com falo. 

Vale ressaltar também “O Chá do general”, de Bob Yang, que traz a história ficcional de um general aposentado chinês, que mora sozinho no centro da cidade. Ao receber a visita inesperada de seu neto, que demonstra gostar de objetos e comportamentos atribuídos ao gênero feminino.

O ator Tony Lee esteve presente, arriscou com êxito várias palavras em português e recebeu o prêmio de “melhor curta nacional” pelo voto popular, além receber menção honrosa do júri oficial e do Prêmio Fepec. “Viva LGBT”, gritou ele repetidas vezes. 


O júri oficial também premiou os filmes “Nena Cajuína” (melhor curta pernambucano) – sobre uma ex-profissional do sexo que foi homenageada em Arco Verde - e “Antes da Encanteria” (melhor curta nacional), uma ousada obra com várias linguagens que aborda um "magote da viada truando no meio do mundo".

O curta “Horizonte dos Eventos”, sobre um jovem que acaba de descobrir ser soropositivo, venceu o prêmio Fepec. Ao receber o prêmio, o diretor Gil Baroni se emocionou ao dedicar ao jovem Gabriel, à mãe de Gabriel e à própria mãe, que faleceu recentemente.


Giu Nonato apresentou a noite e também exibiu o Projeto Margem

HOMENAGENS


Já o Troféu Rutílio de Oliveira foi dedicado para a empresária e ativista Maria do Céu, que se dedica à comunidade LGBT há mais de 20 anos. Além do prêmio especial dedicado ao promotor de Justiça Maxwell Viñole, que trabalha a favor da dignidade da população LGBT. Durante o seu discurso, ele fez questão de ressaltar que é "bicha" e que há alguns anos dizer isso não seria possível em sua profissão.


"O pai que não sai do armário assina o atestado de óbito
do seu filho LGBT"
O ativista do Mães pela Diversidade Avelino Fortuna, que falou sobre ter perdido o filho Lucas Fortuna para a homofobia em 2012, foi homenageado com Troféu Rutílio de Oliveira. 

Na noite de sexta-feira (18) foi exibido um curta exibido produzido pela ONU em que ele fala sobre a perda familiar para a homofobia. “O pai que não sai do armário assina o atestado de óbito do seu filho”, declarou Avelino, emocionando a plateia.  

O júri oficial foi presidido pela montadora e jornalista Natara Nery e contou com a presença da diretora Maria Cardozo, a criativa Giu Nonato; o diretor Alexandre Soares Taquary; o representante da Associação Brasileira de Diretores Igor Travassos, representante da Associação Brasileira de Diretores. A Federação Pernambucana de Cineclubes (Fepec) foi composta pela educadora social do Cine Guiné Aroma Bandeira, a representante do cineclube Bamako Iris Regina Gomes, a representante do cineclube Fazendo Milagres Raquel de Melo Santana.


“QUARTA EDIÇÃO FOI A MAIS COMPLETA”

De acordo com Clara Angélica, diretora geral e artística, a quarta edição do Recifest foi a mais completa de todas as edições. Tanto no ponto de vista técnico quanto na temática dos filmes e atrações, que procurou contemplar todas as letras da população LGBT.

“É um festival que quer privilegiar a diversidade e ser um espaço de resistência e a favor da luta pela vida e liberdade das pessoas. É um festival que quer dar voz às pessoas e o filme acaba sendo a cereja do bolo, não o foco. A cada ano a gente quer avançar mais nesse espaço a favor dos direitos humanos”, declarou. 


Ela também destaca o protagonismo das pessoas trans. “Foi um festival muito especial para as pessoas trans, pois elas e eles foram os grandes protagonistas do festival. A gente pode ver a representatividade na tela e também pessoalmente, com todas as apresentadoras trans”, disse.

Maria Daniela Mendonça Silveira e Clara Angélica


A quarta edição do festival ocorreu entre os dias 15 e 19 de novembro, no Cinema São Luiz, com lançamentos e apresentações de diversas expressões artísticas. O Recifest teve incentivo do Governo do Estado de Pernambuco, através do Funcultura Audiovisual. 

Confira os vencedores:

Prêmio do júri oficial
Melhor curta pernambucano - "Nena Cajuína"
Menção honrosa curta pernambucano - "Transexualidade Masculina"
Melhor curta nacional - "Antes da Encanteria"
Menção honrosa curta nacional - "Ingrid"
Prêmio do público
Melhor curta pernambucano - "Transexualidade Masculina"
Melhor curta nacional - "O chá do general"
Prêmio Fepec
Menção honrosa - "O chá do general"
Prêmio Fepec - "Horizonte de eventos"
Troféu Rutílio de Oliveira
Maria do Céu
Sr. Avelino Fortuna
Prêmio especial
Maxwell Viñole, promotor de Justiça

Um comentário

Turma Animada disse...

Neto, querido, foi um prazer tê-lo entre nós. Fez muita diferença, Gratidão pelo aprendizado! Obrigada pelo tralho necessário que você desenvolve. Beijos mis!

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