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Que gato! Aos 36, homem trans Stefano Davide vence concurso de Mister na Itália



O motorista particular Stefano Davide Simonelli (ao centro da foto), de 36 anos, é o homem trans mais bonito da Itália. Em maio deste ano, ele venceu a primeira edição do concurso Mister FTM Itália, levou a faixa, prêmio em dinheiro e, por meio de sua beleza, visibilidade aos homens trans do país.

Natural de Fiano Romano, ele concorreu ao lado de 16 homens, que desfilaram seus trajes de gala e banho em um espaço de festas de Bolonha. Após a vitória, Stefano dedicou a faixa à mãe, que morreu recentemente, e disse que é a prova de que não existe idade certa para iniciar a transição de gênero e ser feliz.

“Ganhar foi uma forma de redenção. Comecei a transição tarde, aos 30 anos, mas poder ser o homem que sou é um sonho que me acompanha desde criança. Então, a minha vontade de participar deste concurso é dar visibilidade para os FTM para outras pessoas”, declarou ao site Gay Post Itália.

Stefano afirma que demorou a se identificar como homem trans porque a identidade era invisível. “Perdi meu pai quando era criança e minha mãe há alguns anos atrás. Mas eles sempre apoiaram, apesar de não terem tempo de acompanhar a minha transição. Comecei tarde, porque não poderia obter informações, o mundo FTM era totalmente invisível. Meu primeiro nome, Stephen, eu escolhi porque foi o nome que ela me daria”.



Sobre o prêmio em dinheiro, Stefano declarou que vai guardá-lo para curtir futuramente com a atual namorada.

Os organizadores Kai Trevisan e Carmen Aurora Pitari afirmou que a ideia do concurso foi a vontade de ressaltar histórias e características positivas de homens trans. “Quando você pensa na palavra trans, o que aparece na mente são as mulheres trans. Então quisemos falar sobre os homens trans de maneira leve, mas com orgulho, colocando seu rosto e dando visibilidade para uma realidade invisível”, declarou Kai. "Que seja o primeiro concurso de muitos", continuou. 

Obs: FTM é uma sigla em inglês de Female to Male (de fêmea para macho). No Brasil, parte da militância rejeita, uma vez que ela é utilizada pela medicina psiquiátrica, define pessoas por meio de sua transição, não pela sua identidade atual, e evidencia o gênero imposto no nascimento. Fora que parece uma sigla que nomeia qualquer coisa, menos seres humanos.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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