Realidade

Travestis salvam dos gays cis de espancamento no centro de São Paulo


Dois homens gays cis foram violentamente espancados por um grupo de rapazes na noite de quinta-feira (03), no Largo do Arouche, centro de São Paulo. Um deles, Vinicius Anselmo, afirma que eles foram salvos por várias travestis que passavam pela República.

No relato publicado no Facebook, Vinicius afirma que encontrou com o amigo logo após do trabalho. Por volta das 23h, eles caminhavam de volta para casa quando um homem “forte e alto” pegou a mochila de Vinicius e correu.

O amigo, que não foi identificado, começou a pedir socorro. E outros dois homens surgiram e começaram a espancá-lo. “No primeiro murro meu amigo caiu desmaiado e começou a cuspir muito sangue (...). Entrei no meio para proteger e abracei meu amigo. Num ato de raiva o alvo passou a ser eu”.

Vinicius afirma que levou muitos socos e pontapés e que policiais chegaram a avistar a cena. “Eles desceram do carro, olharam a violência, entraram novamente na viatura e nos deixaram lá ainda apanhando. Para mim aquele er ao fim da minha vida”, declarou a vítima, que teve a camiseta, as calças rasgadas e todo dinheiro roubado. “Fiquei completamente despido, humilhado”.

Várias pessoas presenciaram a cena, mas foi uma travesti que acabou atendendo os pedidos de socorro e chamando outras para os socorrer. “Quando me dei conta, eram muitas ao redor de nós. E elas, num grande ato de amor (porque não sei descrever com outras palavras) colocaram a vida delas em risco para salvar a minha e a do meu amigo”.

As travestis teriam expulsado os agressores e dado um sinal para um taxi. “Não recordo direito, mas lembro delas falando: ‘Um já morreu, vamos tentar salvar o outro’’”. O taxista os levou para a casa de outro amigo. “Conforme seguíamos viagem, eu ia conversando com meu amigo ainda desfalecido no meu colo. Ele não falava nada com nada, mas pelo menos falava e isso me aliviou”.

A vítima divulgou várias fotos dos resultados da agressão e não informou se registrou boletim de ocorrência. Ele fez um alerta para todas as pessoas que caminham na região da República. “Agora eu estou bem, tenho alguns hematomas, mas o hematoma maior é interno, o trauma que fica em ser espancado por ser homossexual, e humilhado à ponto de beijar a sarjeta”.

Que eles façam a denúncia, que os responsáveis paguem pelo crime. E que eles consigam superar, mais que os hematomas, o trama da agressão. 


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

1 comentários:

Emilia Assucena disse...


Nossa que situação! Tinha que ser identificado os policias que negaram socorro... Omissão é crime! Principalmente no caso de um policial...

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