Pride

Dezesseis anos após a morte, Andréa de Mayo tem nome social respeitado em túmulo


Foto: Claudia Guimarães

A travesti Andréa de Mayo (1950-2000) teve que esperar 16 anos, desde sua morte em maio de 2000, para que finalmente tivesse o nome social respeitado em seu túmulo, no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Ela é considerada um dos grandes ícones de São Paulo.

Até então, era o nome de registro que ficou exposto. Tudo porque o pai de Andrea não quis sepultá-la e coube a um amigo disponibilizar um jazigo, sem se atentar para a necessidade do nome social.

A mudança foi promovida pelo Serviço Funerário Municipal de São Paulo e a nova placa foi doada pelo professor da USP Renato Cymbalista. A cerimônia da mudança ocorreu no dia 17 do último mês.

“Homenagem a uma história de luta e persistência na garantia de direitos. Celebramos a diversidade, memória e vida”, diz a placa.

Andréa foi um dos grandes nomes do movimento de travestis em São Paulo. Foi apelidada de “cafetina romântica”, era durona e amável e teve um clube no centro, a Prohibidu’s, onde várias artistas trans se apresentavam e participavam de concursos de beleza. Participou também de diversas manifestações e programas de televisão, em defesa dos direitos humanos. 



Em um dos momentos de maior destaque ocorreu no Programa Livre, exibido pelo SBT nos anos 80. Ela não se intimidou frente as declarações LGBTfóbcias do político Afanásio Jazadji - o fundamentalista da época - que dizia que homossexuais deveriam ser afastados do convívio social. 


Andréa rebateu: "Quando você foi nas ruas pedir os seus votos, você falou para o indíviduo homossexual que não votasse em você?". Ele respondeu que "não" e a plateia entendeu a contradição, aplaudindo o tiro certo da ativista.

Também esteve em diversas aparições no programa Comando da Madrugada, da Bandeirantes, apresentado pelo jornalista Goulart de Andrade. Ela mostrou a realidade das travestis que trabalham com programas e a construção do corpo por meio do silicone industrial aplicado pelas bombadeiras. 

Andréa morreu em 16 de maio de 2000, aos 50 anos, após enfrentar complicações na cirurgia de retirada do silicone industrial do corpo. Em seu velório apareceu o jurado Pedro de Lara (1925-2007), que acabou ficando amigo de Andréa.   

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About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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