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Funcionária revela ser mulher trans e é acolhida em centro militar de São José dos Campos


Trabalhando há 34 anos no Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA) de São José dos Campos, São Paulo, Lilian Alessandra Consiglieri, de 58, revelou ser uma mulher trans. E revela que se surpreendeu ao ser absolutamente respeitada e acolhida em sua identidade de gênero pelo centro militar.

Lilian, que já trabalhou como desenhista projetista, na área da computação, setor gráfico e astronômico, atualmente trabalha com comunicação visual e marketing. E já recebeu o seu crachá com o uso do seu nome social.

Em entrevista ao G1, ela revela que demorou décadas para se revelar trans porque o assunto não era discutido há 50 anos. Filha de pai peruano e mãe brasileira, ela chegou a ser afastada da companhia das primas ao perceberem que identificava com o feminino, sofreu bullying na adolescência, teve complexo de inferioridade e mergulhou nos livros. Foi forçada a sublimar durante muitos anos a mulher que sempre foi.

Chegou a casar com uma mulher cis para atender os papeis esperados de um “homem”. E acabou visitando o guarda-roupa da ex-esposa durante uma viagem dela ao Canadá. “Experimentei as roupas dela, me produzi. Com o coração quase saindo pela boca, entrei no carro e sai pelas ruas do centro de São José. Fui até algumas transexuais que encontrei na rua. Foram gentis e me batizaram como Lilian”, conta. Seis anos depois, elas se separaram.

Foi quando Lilian passou a ter uma vida dupla. Até agosto de 2015, ela ia ao trabalho com a identidade masculina e, ao terminar o expediente, podia ser finalmente Lilian. “Vivia de forma discreta, mas não era plena. Eu não me identificava visualmente”, diz. Até em 2015 Lilan tomou coragem e procurou a assessoria jurídica da DCTA para comunicar que era uma mulher trans e que gostaria de ser respeitada como tal. “Eles me ouviram e entregaram um relatório para o comandante que autorizou minha mudança”.



Para a sua surpresa, o comandante também organizou reuniões para falar sobre o assunto e sensibilizar os outros militantes. “Sempre me considerei uma ótima profissional e esse acolhimento fez com que eu sempre tivesse um tratamento gentil e respeitoso. Depois da aprovação do comandante de Brasília, ganhei até um novo crachá com minha nova identidade”.

Ela afirma que não sofre preconceito no ambiente de trabalho e a única diferença é que passou a escutar das colegas que está sempre arrumada e bem produzida. “Minhas colegas brincam que ficam até com vergonha, mas quando você passa a ser mulher, adquire vocação feminina. Você passa a ver o mundo mais florido, as cores adquirem novos aspectos, a sensibilidade brota”, diz.

Como nem tudo são flores, ela afirma que fora do trabalho escuta alguns xingamentos de estranhos quando caminha pela rua e que enfrenta a transfobia familiar. “Eu sou a mais velha de três irmãos homens. Meu irmão do meio não aceita; o mais novo, a gente sai junto, se diverte. Minha mãe ficou sabendo antes de falecer e foi resistente, mas como sempre tive presente ao lado dela e ela podia contar comigo, foi tolerando”, contou.

Que a história de Lilian inspire outras pessoas trans reprimidas a darem outros passos rumo à verdadeira identidade. E a patrões, estabelecimentos colegas e outros a acolherem e respeitarem estas pessoas.

Um comentário

Anônimo disse...

Acabei de conhecer o site e adorei.

Foi uma leitura rápida, porém prazerosa obrigada.

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