Pride

Mãe de criança trans de oito anos emociona ao contar história de aceitação


Debi Jackson vem se tornando uma porta-voz dos direitos das crianças trans em todo o mundo. Ela, que é mãe de uma garotinha trans de oito anos, a Avery Jackson, fala sobre a importância de apoiar os filhos e filhas em suas transições e aceitações.

“Relaxe e confie nos seus filhos. Você não pode transformar ninguém em trans, assim como não pode impedir que alguém seja trans”, declarou ela no vídeo da campanha Elas Abraçam, da Think Olga. Debi é fundadora do trans-parenting.com, que auxilia pais de crianças trans.

Ela revela que quando os filhos nasceram, ela pensou se tratar de dois garotinhos, pois foram identificados assim no nascimento. Porém, quando a filha Avery tinha três anos ela começou a demonstrar não estar em conformidade com o gênero que lhe deram. E que era na verdade uma garotinha. 

“Ela preferia o que consideramos como ‘brinquedos de menina’, usava vestidos de princesa, se identificava com personagens femininas. Aos quatro anos, depois de alguns meses disso, progredindo nesse sentido e se interessando cada vez mais por essas coisas, ela me disse: ‘Mãe, você pensa que eu sou um menino por dentro, mas na verdade eu sou uma menina”, declarou.

A MUDANÇA

Com o tempo, Avery passou a ficar bastante desconfortável com o próprio corpo e ficar obsessiva com a morte. “Até que um dia ela tirou o cinto de segurança no meio da estrada e tentou abrir a porta do carro. Ela queria pular e morrer. Isso porque ela achou que seu corpo estava errado. E tinha esperança de ir para o céu e pedir para Deus para voltar à Terra com o corpo certo”.


Levada a médicos e psicólogos, ela foi diagnosticada com disforia de gênero. E os pais foram aconselhados que o melhor que poderiam fazer pela filha seria apoiá-la em sua transição para viver como uma garotinha. “Assim fizemos e tudo mudou para ela”.



Debi conta que a filha tornou-se uma criança muito mais feliz: “De estar depressiva e falar sobre morte o tempo todo, estar amarga e com raiva, ela passou a se tornar incrivelmente feliz, extrovertida, passou a fazer novos amigos todos os dias no parquinho. Ela vive nos últimos quatro anos sendo a menina que é e todos na sua vida a veem como uma menina”.

BOTAR A CARA NO SOL

Após o exemplo positivo dentro de casa, a mãe decidiu ajudar pais e, além de dar entrevista, palestras e dar entrevista para a National Geographic, criou a Trans-Parenting, que oferece informações de qualidade para outros pais de criança trans, que não encontram suporte com facilidade.

“Apoiar uma criança pode ser uma questão de vida ou morte, literalmente. Infelizmente a comunidade trans é uma parcela tão
Debi com a filha trans e o filho cis
pequena da comunidade LGBT que eles viraram alvos fáceis. Estamos vendo um aumento da violência contra mulheres trans e vemos a criação de muitas leis que atacam a população trans, especialmente proibindo a entrada em banheiros”.


Para melhorar a situação de transfobia, Debi afirma que é necessário colocar a cara no sol. “Parte do que estamos fazendo é estar por aí, se impor e mostrar a cara. Mostrar as pessoas que transgeneros não são pessoas assustadoras, que tem família e que não há nada de diferente ou especial em nós”.

Assista ao vídeo:



About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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