Pride

Mulheres trans são agredidas por seguranças e retiradas à força de shopping em Curitiba


Por Neto Lucon

Três travestis e mulheres transexuais foram agredidas na segunda-feira (07) por seguranças e retiradas à força do Shopping Estação, em Curitiba, após se envolverem em uma confusão com um homem cis na Praça de alimentação.

No vídeo que circula pela internet, os seguranças interferem na discussão entre as trans e o homem cis. E usam da agressividade para tirar as trans do local. Uma é abraçada por trás, tem parte de sua peça íntima exposta é levada para fora. Outra leva um mata leão, cai no chão e é arrastada. O público assiste a cena passivamente.

Em conversa com o NLUCON, a militante Rafaelly Wiest, do Transgrupo Marcela Prado, alegou que não houve a tentativa dos seguranças de entender o que estava acontecendo. E que eles abusaram da força e da abordagem violenta contra o grupo de mulheres trans. Rafaelly foi acionada após o episódio e deu suporte às meninas. 


"Sem saber, eles já julgaram que as meninas estavam erradas e que precisavam ser retiradas à força. Tanto que o homem chega a agredir com um soco, um tapa e um chute uma delas e os seguranças não fazem nada contra ele. Fazem somente contra as trans”, declara a militante, destacando que a violência contra a população trans é corriqueira e naturalizada. 

BOLETIM DE OCORRÊNCIA

Após o vídeo as trans foram encaminhadas para uma sala, onde alegam ter sofrido novas agressões. Elas foram à delegacia, onde fizeram um Boletim de Ocorrência e passaram por corpo de delito. Bastante machucadas, elas saíram da cidade e não querem dar entrevistas sobre o caso.

“Entramos em contato com a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Estado do Paraná. E vamos notificar o Ministério Público pela agressão que aconteceu. Agora, enquanto ações civis e criminais, só cabem as meninas, que infelizmente deixaram a cidade. É triste porque esse hábito de apanhar e achar que não adianta denunciar faz com que o preconceito permaneça”, declarou Rafaelly.

NOTA DA ASSESSORIA

A assessoria do shopping Estação emitiu uma nota ao site Lado A dizendo que o “Shopping preza em todos os momentos pelo bem-estar dos clientes, lojistas e funcionários e esclarece que atuou para conter um tumulto garantindo a segurança de todo o público presente no local”.

Rafaelly questiona: “Essas três meninas trans que estavam no shopping também são clientes e foram agredidas. Então quer dizer que a segurança delas não foi respeitada e o bem-estar delas não foi assegurado? Ao contrário, foi uma atrocidade e uma barbaridade o que fizeram”, declarou.

Assista ao vídeo: 


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

4 comentários:

Anônimo disse...

ME DESCULPE MAIS EU FIQUEI CURIOSOS, O QUE É UM HOMEM CIS?

Anônimo disse...

Ela foi agredida sim pelo homem, mas em nenhum momento quem defende elas fala sobre que elas fizeram para poder ser retirado do shopping, dando chutes no homem e a delas jogou a bandeja com comida na cara do antes dele dar soco nela, só aparecem gente pra criticar o shopping e dizer que é preconceito mas em nenhum momento fala o que elas fizeram e reconhece que elas erraram.

Anônimo disse...

Bem óbvio que não precisava dessa violência, e os merdas do seguranças só segurou as trans, pq não segurou o homem tbm? Filhos de uma rola podre !!!

Elvínia disse...

Na verdade houve abuso de poder...nenhum ser humano poderia ser tratado daquele jeito...nada justifica as reações dos seguranças. Tristeza foi ver que ninguém se manifestou! Total preconceito!


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