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Professora trans Jaqueline Gomes de Jesus recebe Prêmio Rio Sem Homofobia


A pesquisadora, psicóloga e professora Jaqueline Gomes de Jesus – que é mulher trans - recebeu na última sexta-feira (16) o tradicional Prêmio Rio Sem Homofobia. Ela atuou como coordenadora do Curso Diversidade Sexual na Escola promovido pela UFRJ a professores da rede pública de ensino.


Jaqueline e Claudio
O prêmio foi entregue das mãos de Claudio Nascimento (foto ao lado), Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos, da Secretaria de Ação Social e Direitos Humanos.

“Receber esse Prêmio pelo meu trabalho como professora, na formação de gente que multiplique a mensagem da valorização da diversidade humana, honra todas as pessoas trans e não-binárias. Travestis, homens trans e mulheres trans que são tão capazes quanto quaisquer outros seres humanos, apesar de invisibilizados e ridicularizados”, escreveu nas redes sociais.

A professora diz que deve o prêmio aos alunos-professores que acreditaram na proposta, a equipe do Rio Sem Homofobia, aos colegas que se engajaram no curso Gênero e Diversidade na Escola. E ao marido, João Zacharias Filho. “Estamos conseguindo educar homens e mulheres cis. Estamos conseguindo abalar o mundo de transfobia, cissexismo e tantas outras opressões, como o racismo”.

Jaqueline também destacou a ameaça que programas como Rio Sem Homofobia, a SuperDir e SEASDH mediante a repercussão da crise do estado. “Precisamos defender. Não são apenas ideais que estão sendo ameaçados, são seres humanos”, escreveu.

Já sobre a justa e merecida comemoração, ela diz: “Mulheres como eu, quando sobrevivemos ao ódio que nos violenta, aprendemos a amar muito a nós mesmas, a valorizar cada pequena conquista. Não canso de repetir que somos sim aves raras, especiais, ante a tudo que superamos para sermos minimamente felizes”. Parabéns!

Confira o texto na íntegra:

Surpresa define o meu dia. Gratidão define o meu sentimento.

O Prêmio Rio Sem Homofobia, que recebi hoje do Programa Rio sem Homofobia, coordenado pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos - SuperDir da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos - SEASDH do Governo do Estado do Rio de Janeiro, é um sopro de vida.

Eu o ganho de um órgão que tem salvado vidas, ao longo de um trabalho sério e apaixonado de décadas, capitaneado pelo extraordinário Cláudio Nascimento. Apesar de tudo o que tem feito, os seus esmerados trabalhadores-militantes têm sofrido com as repercussões da crise do Estado; e o Programa corre riscos na sua permanência qualificada, ante às chocantes propostas de mudança institucional.

Precisamos defender o Rio sem Homofobia, a SuperDir, a SEASDH! Não são apenas ideais que estão sendo ameaçados, são seres humanos. Algumas vezes, nós trans perdemos a crença na histórica aliança política com os LGB e até nos irritamos profundamente (principalmente com relação ao eventual egocentrismo de homens homossexuais), mas são parcerias sérias e engrandecedoras como essas que nos reaproximam, que nos impulsionam a lutar não apenas pela nossa pauta própria, da livre vivência da identidade de gênero, mas também pela livre expressão da orientação sexual.

Quanto ao Prêmio, eu o devo aos alunos-professores que acreditaram em nossa proposta, à equipe do Rio Sem Homofobia, que nos apoiou integralmente, e aos colegas que se engajaram ativamente nesse desafio que foi implementar a edição 2016 do Curso Gênero e Diversidade na Escola: Joyce, Thaina, Elisa, Juliana, Geovani, Camila, Valdylane, Maria Luiza, Alexandre Nabor, Richarlls, Pedro Paulo, Valeria e Alexandre Bortolini. Ele só aconteceu por causa da força e dos sonhos de vocês!

Por ser quem sou, uma mulher negra e trans, eu poderia estar morta há muito tempo, e sequer ter sido enterrada. Estar viva já é uma vitória para mim.

Mulheres como eu, quando sobrevivemos ao ódio que nos violenta, aprendemos a amar muito a nós mesmas, a valorizar cada pequena conquista. Não canso de repetir que somos sim aves raras, especiais, ante a tudo que superamos para sermos minimamente felizes.

Eu tenho muito orgulho do povo do qual faço parte, da rica cultura sobre os nossos corpos que nos criamos, das nossas particularidades e diversidades. Nosso sentimento com relação às pessoas cisgêneras (as pessoas que não são trans), varia do medo à desconfiança e à raiva (por mais que a maioria de nós se relacione com pessoas cis), devido à forma cotidiana como nos agridem, insultam, menosprezam e exploram, ao nos transformarem em meros objetos sexuais e nos desumanizarem.

São momentos especiais como o que passei hoje que nos empoderam, mas também fazem acreditar que vocês, pessoas cis, podem se tornar mais humanos e amorosos.

Estou certa que ter recebido esse Prêmio pelo meu trabalho como professora, na formação de gente que multiplique a mensagem da valorização da diversidade humana, honra todas as pessoas trans e não-binárias. Travestis, homens trans e mulheres trans que são tão capazes quanto quaisquer outros seres humanos, apesar de invisibilizados e ridicularizados.

Aliás, eu também devo esse Prêmio ao apoio diuturno e ao amor incondicional - sim, sem verborragias - de um homem cisgênero, o meu marido João Zacharias Filho.
Estamos conseguindo educar homens e mulheres cis. Estamos conseguindo abalar o mundo de transfobia, cissexismo (sexismo específico contra pessoas trans) e tantas outras opressões, como o racismo, que vocês criaram com tanto esmero.

Sim, não fomos nós que fizemos isso tudo que lhes privilegia como gente, por mais que uns poucos de vocês reconheçam e repugnem essa ordem das coisas, mas estamos trabalhando na trans-formação das mentes e corações!

Eu falo por muitas porque elas falam por mim. Luz, Namastê, Shalom, Axé! <3 br=""> P.S.: terminei a noite picando frango (é verdade) pro almoço da Mostra que realizaremos neste sábado no Instituto Federal do Rio de Janeiro - Campus Belford Roxo, no qual nossos alunos apresentarão seus trabalhos finais em Ecodesign, em Produto Têxtil e de Moda e em Empreendedorismo e Gestão. A revolução também se faz na cozinha! :D Aliás, muitas começaram lá. ;)

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