Realidade

Vendedor ambulante tenta salvar travesti e gay de ataque e é assassinado em metrô de SP


O vendedor ambulante Luiz Carlos Ruas, mais conhecido como Índio, foi espancado e assassinado por dois homens na noite de domingo (25) na estação Pedro II, do Metrô de São Paulo. Ele foi tentar defender uma travesti e um gay em situação de rua do ataque, que fugiram, e acabou tornando-se alvo.

De acordo com o delegado Oswaldo Nico Gonçalves, os agressores são Alípio Rogério Belo dos Santos e Ricardo Nascimento Martins.

Vídeos das câmeras de segurança mostram a travesti Raíssa sendo perseguida pelos dois, passando debaixo da catraca e fugindo para dentro da estação. Eles também invadem a estação, mas não a alcançam. Nas imagens é possível ver os agressores voltando e, pouco depois, agredindo Luiz Carlos, que tenta pedir socorro na bilheteria e cai. 

Ele é violentado pelos dois com socos e pontapés na cabeça. Mesmo desacordado, os rapazes voltam a agredi-lo. Nenhum segurança do metrô apareceu durante as agressões. Índio foi socorrido pelos funcionários do metrô, mas não resistiu e morreu no hospital Municipal Vergueiro.



“O senhor Ruas, que é um vendedor ambulante, foi tentar ajudar as travestis, e foi massacrado covardemente até a morte. Uma cena triste, mas estamos trabalhando muito para poder prendê-los e coloca-los atrás das grades ainda hoje. Se não for hoje, vai ser amanhã, na véspera de ano novo...Mas não vamos descansar”, disse o delegado.

Pouco antes, os dois também agrediram 
Edvaldo da Silva, que é homossexual em situação de rua. A travesti Raíssa interveio e Luiz Carlos – que trabalha há 20 anos no espaço – também tentou apartar. "Eles só diziam que queriam matar, matar", declara Raíssa, ao ser perseguida. 

O caso foi registrado no 78º Distrito Policial como homicídio qualificado, mas será encaminhado ao 5ºDP. A Secretaria de Segurança Pública disse em nota que apura o envolvimento de um grupo de intolerância. A polícia declarou que os dois são primos e estavam embriagados, sendo que um deles teve problema com a mulher e teriam socado a porta da vizinha na vila onde moram.

O velório de Índio será nesta terça-feira (27) no cemitério Vale da Paz, em Diadema. O sepultamento está marcado para 16h30.
Alípio e Ricardo seriam os responsáveis pelo assassinato

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

2 comentários:

Danielle Sabatinni disse...

Por isso que acho que a população lgbtt não deve andar sozinhos e desarmados, nem que for spray de pimenta, lamentável!

Anônimo disse...

Pela imensa incidência de agressões e assassinatos, não é spray de pimenta, mas sim a liberação do porte de arma para essas pessoas, que estão em constante risco de vida. Sendo que cursos de defesa pessoal, já deveriam estar sendo oferecidos pelos grupos e instituições GLBT.

É assim que se deve enfrentar a situação, com mais ação.

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