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Após travesti ser expulsa do vagão rosa, grupo trans faz protesto em metrô de Recife


Por Neto Lucon

Depois que a travesti Keila Souza foi expulsa do vagão rosa do metrô de Recife – destinado pessoas do gênero feminino - no último dia 27, um grupo de Mulheres da Articulação e Movimento para Travestis e Transexuais de Pernambuco (Amotrans-PE) fizeram uma manifestação no dia 31 em frente ao vagão rosa. E disseram que, sim, também são mulheres e também têm esse direito.

O vagão na estação central, implantado em janeiro foi ocupado por dezenas de travestis e mulheres transexuais. E precisaram mostrar resistência para não serem barradas.

“Após repetitivamente um funcionário questionar se eu tinha um documento que comprovasse a minha identidade, pois só assim seria permitido a nossa entrada. Desta forma, respondemos que não entregaríamos nenhuma documentação, pois nenhuma das outras mulheres cis que estavam naquele local precisavam comprovar sua identidade”, declarou Fabiana Oliveira, integrante do Amotrans-PE.

Fabiana: "não existe 'a' mulher,
somos 'as mulheres'".
Durante o vídeo, Fabiana diz que "sua identidade não se resume a uma genitália" e que não existe "a mulher", mas "as mulheres".Segundo ela, o fato de estarem filmando todas as declarações inibiram outras declarações preconceituosas e o uso do vagão. Mas ocorreu constrangimento e vexame ao haver a liberação no vagão rosa. 

“O serviço público é um dos mais violentos para com a população, somos sempre vítimas de fatos transfóbicos. Acredito que se uma trans estiver sozinha e não for empoderada com certeza a mesma será proibida de entrar”.

Fabiana declara que a violência transfóbica ocorre diariamente, não apenas na estação de metrô, e pede para que todas as travestis, mulheres transexuais e homens trans não abaixem a cabeça. “Precisamos denunciar sempre e mostrar que existimos e temos direitos como qualquer ser humano, mesmo não sendo considerada(os) pela sociedade”.



No vídeo postado pela vítima, Keila diz: “Fui barrada no vagão rosa, no dia estava usando um short e blusa curta, pouca maquiagem e cabelo solto. Será que outras travestis e outras trans vão ser barradas no vagão rosa? E eu ainda ouvi comentários de que aquele vagão não era para mim. Eu sou mulher sim. Somos todas mulheres e eu não quero que nenhuma outra sofra o que eu passei".

Vale lembrar que o vagão rosa foi criado para evitar que mulheres sejam vítimas de abusos e assédio de homens. E que a população de mulheres transexuais e travestis, além de terem esse direito, afinal também são mulheres, é uma das populações que mais sofrem assédio nesses espaços. 

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