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Após vencer campeonato, lutador homem trans gera debate ao ser obrigado a disputar contra mulheres


Ao olhar para a foto acima, o que você vê? Mack Beggs, um lutador, um homem, um adolescente trans de 17 anos. Porém, para o Estado do Texas ele é uma mulher - porque foi designado assim ao nascer, apesar de se identificar com o gênero masculino e ser um homem - e associações atléticas do ensino médio ignoram a transgeneridade e o obrigam a praticar o esporte como uma menina. Apesar de ele querer estar no time dos meninos. 

O que ninguém esperava é que Mack Beggs fosse de fato um campeão. E quando ele ganhou uma competição regional na última semana, várias discussões surgiram por ele ter vencido 53 lutas contra mulheres cis, tendo duas desistências finais. Enquanto alguns quiseram tirar o seu título, outras mostraram como são ridículas as regras para atletas trans: atualmente, independente de sua identidade de gênero, o que vale é a certidão de nascimento.

Sim, Mack queria lutar no grupo dos homens, mas foi impedido. Ele disse que continuou pelo foco que teve nos treinos, pelo respeito aos demais colegas e para dar visibilidade ao tema, que envolve outras questões como banheiro, listas de chamada e o respeito pela identidade de gênero envolvendo pessoas trans nos EUA.


Após vencer Taylor Latham no dia 18 logo no primeiro golpe, as outras duas finalistas se negaram a lutar contra ele. No final da última luta, Beggs apertou a mão de Latham, sério e com extremo respeito. Depois ele apontou para as arquibancadas, onde foi ovacionado pelos torcedores. Todos estavam vestidos com as cores de sua escola, a Euless Trinity. O seu técnico o levou para uma área protegida do acesso da imprensa.


Lisa Latham, a mãe de Taylor, que perdeu a luta, diz que a filha cis é uma lutadora e que por isso não se rendeu. E que não vê como “normal” e nem “lógico” a presença de um homem trans no torneio e questiona o título. “Como mãe protetora, queria que abandonasse a luta” e reforçou que ele tem vantagens por fazer a hormonioterapia, o uso da testosterona.

James Baudhuin processa o UIL por causa da participação de Beggs na divisão das meninas. Ele tem uma filha que lutou contra Beggs e perdeu. "
As meninas que estão no suporte da Beggs foram colocadas em uma situação muito, muito injusta por causa dos adultos", disse. "Para mim, este é um completo fracasso total de liderança e responsabilidade das pessoas que regulam o esporte no Texas. Eles estão fazendo errado por Mack também."

A assessoria do Comitê Olímpico Internacional, Joanna Harper, declarou ao Star-Telegram que a regra teve "efeito oposto do que desejavam". "Não haveria dúvida de que Mack deveria competir contra os homens, mas isso não é uma opção para ele por causa da regra. Eu acho a regra equivocada e miope".

O atleta Chris Mosier, um dos homens trans mais famosos dos esportes deu a dica: "As políticas de associação atlética da High School para atletas trans devem permitir a participação por identidade de gênero, não por uma certidão de nascimento". Anteriormente, ele conseguiu que homens trans pudessem integrar às competições de duatlo.



Mesmo as pessoas que manifestam contra a vitória do jovem, não há que colocar a culpa em Beggs. Nenhuma. Adolescentes não escrevem políticas e são obrigados a exercê-las. Mesmo sendo homem e querendo lutar com os homens, ele foi obrigado a lutar contra mulheres, tanto porque a política está desatualizada quanto porque os políticos se recusam a aceitar que existem pessoas trans. Pessoas talentosas como Beggs.

Porém, a avaliação do vice-diretor da UIL, Jamey Harrison é a prova de que a ideia do genital de nascimento deve ser mais importante que a identidade de gênero deve continuar: "Noventa e cinco por cento dos superintendentes escolares no Texas votaram a favor da regra, como foi proposto, que foi usar certificados de nascimento. Então qualquer regra pode ser reconsiderada, mas ... dado o apoio esmagador para essa regra, eu não espero que mude."


Assista a luta:



(Obs: o texto não diz que homens cis ou trans sejam mais fortes e sempre vitoriosos em competições de lutas com mulheres cis ou trans. E que não haveria problemas de Mack lutar com mulheres caso a competição fosse mista, avaliando outros critérios (como peso...). A questão é que há um desrespeito a identidade de gênero de um homem trans, em uma competição dividida entre homens e mulheres).

Um comentário

dulce disse...

Sou uma mulher trans e bailarina e ja passei por isso em competiçoes ! nós temos que se impor e não aceitar esse tipo de desmerecimento! graças a Deus hoje participo de competições de dança na categoria feminina !#diganaoatransfobia

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