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Criança trans de 10 anos sensibiliza no Encontro com Fátima Bernardes


Por Neto Lucon

O programa Encontro com Fátima Bernardes abordou nesta sexta-feira (17) o tema “Crianças Trans”. E trouxe o caso de Alexandra e sua filha, Isabela, de 10 anos, para falar sobre a importância da aceitação e do acolhimento.

Na atração, ela contou que desde os três anos Isabela, que havia sido designada menino ao nascer, mostrava preferência por roupas e brinquedos do “universo feminino”. No início ela achava que seria uma criança gay, depois é que veio a questão trans.

Em seu relato, a filha diz: “Quando eu nasci, o meu nome era de menino, eu odiava. Eu usava maquiagens, mas ninguém poderia saber. Um dia minha mãe descobriu, mas meu pai não poderia saber. Quando minha mãe, saía, eu pegava roupas e brincava de desfile. Daí me levaram ao Hospital das Clínicas e me aceitaram”.

Com os olhos da mãe cheios de lágrimas, a pequena diz: “Agora eu tenho nome de menina, eu queria ser jornalista, acho que vou ser uma menina muito bonita”.



A mãe diz que chorou pela demora de entender o que acontecia com a filha e que, antes de levar ao HC, ela era uma criança agressiva, que se machucava e que dizia o tempo todo “eu não sou um menino, eu não quero ser um menino”. “No HC foi mais fácil para mim e para ela. Hoje ela é uma criança feliz, que interage”.

Socialmente, a filha também é respeitada em sua identidade de gênero. Usa roupas atribuídas ao gênero feminino e vai à escola com o uniforme de menina.

ORIENTAÇÃO SEXUAL ≠ IDENTIDADE DE GÊNERO

Sobre a confusão da mãe em confundir identidade de gênero e orientação sexual, o médico Alexandre Saadeh, do HC, explicou que “identidade de gênero” se refere a quem eu sou (homem, mulher...) e “orientação sexual” diz respeito com quem você elege a sua sexualidade”.

No HC, ele explica que o trabalho é acompanhar a criança até a puberdade. “Nosso papel não é dizer se é menino ou menina, a criança é quem vai dizer quem ela é”. Ele também diz que não se trata da culpa dos pais. “Não é uma questão de fazer isso o aquilo. Às vezes é legal apresentar o universo masculino ou feminino, mas é a criança que vai decidir”.



De acordo com o Conselho Federal de Medicina, o acompanhamento segue até a puberdade, quando a pessoa trans passará a tomar bloqueadores de hormônio para que, mais tarde, decida o que é. “Ela vai ter mais um tempo de infância e isso ajuda essa criança a definir se quer entrar para a hormonioterapia”. Essa decisão é questionada por muitos especialistas.

A atriz Marianna Armellini parabenizou a mãe e diz que o mais importante é saber que ele não fez nada de errado. “Quando a gente tem filhos, a gente cria projetos, como se fossem produtos. Mas não, ele vai funcionar do jeito que ele é. E a gente tem que amar acima de tudo” declarou.

O encontro ainda teve a presença da artista Renata Bastos. Confira o relato dela aqui.

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