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"Fechamento da CasaNem seria segunda expulsão para LGBTQI", diz Indianara Siqueira


Por Neto Lucon

A CasaNem, espaço de passagem para travestis, mulheres transexuais e outras transgeneridades em situação de vulnerabilidade social, atividades pré-vestibular, cursos e convivência social na Lapa, no Rio de Janeiro, corre o risco de fechar a partir do dia 5 de fevereiro.

"Tentaremos resistir no local por vias judiciais e se nos obrigarem a sair, iremos encontrar outro. Mas enquanto não acharmos as pessoas LGBTIQ abrigades, voltarão para as ruas", declara Indianara Siqueira, idealizadora e transvestigeneres.

Indianara diz que saída da casa
representa segunda expulsão

Para ela, a saída da Casa Nem representa uma segunda expulsão. "A primeira foi a da família que expulsou pelo preconceito e, agora, a expulsão e a saída deste espaço, que elas chamam de casa", lamenta.


Vivendo de doações e da verba das festas, a casa enfrenta uma dívida e criou uma vaquinha para reunir dinheiro para quitá-la ou encontrar um novo espaço. A vaquinha pede 60 mil (clique aquie conseguiu arrecadar até agora 16 mil, ou seja, 26%.

Considerado um espaço de resistência, ela também promove vários projetos para pessoas sujeitas à vulnerabilidade social e que estavam em situação de rua. Os moradores passam um período no local, participam de projetos, reestruturam suas vidas e parte, para alcançar e ocuparem outros espaços.

Dentre as atividades, estão o PreparaNem, preparatório para o ENEM, o AlfabetizaNem, CozinhaNem, curso de gastronomia, AlimentaNem, um mutirão para alimentar pessoas em situação de rua, CosturaNem, FotoNem, curso de fotografia que foram expostas no Festival TransArte, aulas de idiomas.


DEPOIMENTOS


Além de acolher aproximadamente 30 pessoas trans em situação de vulnerabilidade, a casa traz atividades culturais, perspectiva de inclusão social, debates, exibição de filmes, espaço de resistência a direitos violados, promoção de saúde, integração à educação, capacitação de cursos de moda, estilismo, fotografia...

Rodrigo: "sentimos em família"
"É um lugar que dá um suporte psicológico, onde nos encontramos e nos sentimos em família", diz Rodrigo Damer. "É uma casa que acolhe nós, dá oportunidade de arrumar um emprego e tirar um documento", diz Suzane Gonçalves.

"Aqui ela dá oportunidade para as portas se abrirem em todos os sentidos, seja na educação, seja no trabalho e etc", diz Danny Santos.


“Para mim está sendo uma escola, porque eu morava na rua e não tinha nada. Graças a Deus e graças a Indianara estou tendo coisas que não tinha, estou sabendo ler e não sabia. Então para mim está sendo maravilhoso", declara Luiza França.
Luiza declara que não sabia ler antes da CasaNem
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FESTAS BABADEIRAS

Conhecida também pelas festas babadeiras, que ajudam com parte da manutenção e com os gastos - os eventos também acabam se tornando involuntariamente um importante espaço de socialização, liberdade, lacração, respeito cultura de pessoas LGBTQI, sobretudo transvestigeneres (como Indianara chama).

Foi nela, por exemplo, onde homens trans tiveram a primeira experiências como gogoboys. Onde várias pessoas amaram, beijaram e deixaram seus corpos livres. E onde várias artistas trans se apresentaram pela primeira vez, além receber nomes consagrados como MC Xuxú.

E detalhe importante: não são permitidos de forma alguma machismo, misoginia, racismo, transfobia, etarismo, homofobia, lesbofobia, capacitismo, bifobia ou qualquer tipo de preconceito e opressão. Respeito é bom e geral gosta.

Cartaz da nova festa

E é por ser exemplo de resistência que NESTE sábado, às 23h, ocorre a festa O Túnel do Tempo na Casa Nem, que vem para contribuir com a vaquinha para a permanência do espaço.

O line up é com DJ Priscila (Unicórnios), Makeda (Lokun), Xonga (Lokun), Cármen Laveau (Frozen), Leoni (Néon Party, Casa Nem), Theo (Cisheterofobia, Casa Nem) e Little Goat). A entrada é R$ 10 por pessoa cis e pessoas transvestigeneres não pagam a noite toda. 


Casa Nem
Rua Morais e Vale, 18
20021260 Lapa, Rio De Janeiro
Crédito: Gataria Photography

Mesmo que a casa feche as portas no local atual, ela precisa se restabelecer em outro com a ajuda necessária. A doação pode ser feita pela Vaquinha, no local onde fica a Casa Nem (rua Morais e Vale 18). A Casa também aceita doações de roupas e alimentos. 

Ao fim do texto da vaquinha, o pedido: “Contamos com o apoio de todas as pessoas para que nossa Casa possa continuar a se estabelecer como um importante Projeto, como já demonstrou ser em 2016, que possa continuar fornecendo acolhimento, capacitação profissional e de ensino para pessoas LGBTQI em situação de vulnerabilidade”.

Ajude a vaquinha clicando aqui.

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