Pride

Garota trans de 9 anos conta que aos 4 disse que preferia morrer a viver como menino


Depois da campanha na Espanha dizendo que “existem meninas com pênis e meninos com vagina”, e que foi boicotada por conservadores religiosos, uma entrevista de Nahiane, uma garotinha de nove anos no programa de televisão Ahora!, do canal EITB2, voltou a ser comentada.

Ela, que foi designada menino ao nascer, mas que desde a mais tenra idade se identificou como menina, aparece com seus pais para contar a sua história e, assim, sensibilizar os transfóbicos.

A mãe Nerea García revelou que a filha mostrou com qual gênero se identificava por meio de jogos, desenhos e começou a dizer que é uma menina a partir do momento em que começou a falar. “Mas é claro que nós não sabíamos o que se passava, não conhecíamos essa realidade, então não ligávamos”.

Mas se durante um tempo eles achavam que era apenas uma “brincadeira de criança”, com o passar dos anos as “palavras se tornaram muito duras” para dizer que “Nahiane não era uma menina, era um menino. E nada adiantou.

A família só levou a sério a partir do dia em que a pequena, aos quatro anos, começou a chorar muito e a dizer que preferia morrer a viver como um menino. Foi então que a família se sensibilizou e decidiu acompanhar a filha nessa caminhada.



Falaram com especialistas, com a sexóloga Ana Ramírez de Ocariz e com outras famílias que tinham filhos trans na infância. Foi um divisor de águas para a família e a pequena Nahiane.

Durante o programa, a sexóloga diz que muitas vezes os pais se culpam pelos filhos serem diferentes, mas que esta não é uma questão educacional, nem genética, e sim de identidade. “A maneira como descobrimos a nossa identidade sexual é diferente. A partir dos dois anos, quando as crianças já conseguem expressar o que sentem conseguem dizer quem são”.

A mãe Nerea lançou um livro sobre o tema para ser lido em escolas e deixa um recado para as crianças trans: “Sejam fortes e lutem para serem vocês mesmos”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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