Pride

Mulher cis é assediada e homem trans é agredido ao tentar ajudá-la em bloco em SP


Uma mulher cis foi assediada e um homem trans foi agredido neste fim de semana ao tentar ajudá-la a se livrar do abusador, no Largo do Paissandu, em São Paulo. Uma realidade machista que acontece com frequência nos carnavais do país e que grande parte faz vistas grossas. 

No relato, o homem trans - que prefere não se identificar - viu que um homem cis estava discutindo com uma mulher. “Fiquei observando para ver se não era uma briga de casal, quando a menina empurrou o cara e disse que não era obrigada a beijá-lo”, declarou ao NLUCON.

Ele diz que interviu depois que o homem deu um tapa na cara da garota e disse que, se ela estava ali, era para isso mesmo. “Fui para cima dele dizendo que ele estava sendo machista que quando uma mina diz não é NÃO. O amigo dele me empurrou e ele me deu um soco na cara”, relatou.

Ele ficou com um corte embaixo do olho e a garota conseguiu escapar do assediador. Ele não foi socorrido. “O mais revoltante é que as pessoas estavam assistindo o cara assediar a mina e nada fizeram. Infelizmente tenho visto muito assédio sobre as minas e os caras com frases do tipo ‘essa tá facinho’, ‘essa vou pegar nem que seja na marra’, ‘olha a mina tá chapada, vou comer’. Lamentável”, disse. Lamentável!

Obs: O relato do NLUCON envolvendo o episódio não diz que a mulher precisa ser defendida pelo homem - tanto que o homem trans preferiu não ser identificado. Ela reforça que toda a sociedade deve se unir para evitar que o machismo faça vítimas e que nenhuma mulher deve ter o seu corpo tocado quando não quiser. Quando ela disser não, é não. E que não façamos vistas grossas quando isso ocorrer.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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