Pop e Art

“Negro não é fantasia”, defende a artista trans Cristal Lopez em BH


Por Neto Lucon
Foto: Nereu Jr Imagens

A artista trans Cristal Lopez, que trabalha no clube Estação 2000, é um dos destaques do carnaval de Belo Horizonte. Ela disse ao NLUCON que estaria no carnaval de BH e no domingo (26) a vimos brilhando nas fotos do Bloco Afro Angola Janga, onde é destaque e já foi rainha.

Em um post no Facebook, ela deixou a veia militante falar mais alto e mandou um recado importante para os desavisados de plantão.“Vou falar de novo e falarei até cansar: Negro não é fantasia”.

"Não me toque se eu não permitir"
Ela se referia às comuns fantasias de “negra-maluca” e outras pessoas de pele branca pintadas de preto, que sempre aparecem no carnaval. Tais fantasias reforçam o racismo, mesmo que esta não seja a intenção.

A artista continuou dizendo pode ser admirada, mas que não pode ter a privacidade invadida. “você pode apreciar meu cabelo com os olhos, não com as mãos. Não me toque se eu não permitir. Não é não”, frisou. E isso vale para todo mundo. 

Nas fotos que divulgou em seu Facebook, ela esteve com uma coroa de pedrarias, flores, batom roxo e um cabelo afro simplesmente incrível, enaltecendo a cultura negra. Já nos cliques de Nereu Jr. Imagens (veja outras fotos dele clicando aqui), ela está completamente em transe no Bloco Afro Angola Janga.

Cristal, que tem consciência de que é uma mulher desde os 12 anos, começou a carreira artística aos 16 anos, dançando balé e jazz. Até que decidiu fazer as próprias coreografias e figurinos. Aí ninguém segurou mais. Como o jornalista Miguel Arcanjo disse: é a diva da cultura em Belo Horizonte.



About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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