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ONU lança incríveis cartões postais com a população trans e suas histórias; veja


Por Neto Lucon

A campanha da Organizações Unidas (ONU) “Livres e Iguais”, criada em 2014, para promover os direitos humanos da população LGBT, trouxe para o Dia Nacional da Visibilidade Trans, no dia 29 de janeiro, lindos e incríveis cartões portais.

Chamados “Sobre Viver Trans: histórias de afeto e empoderamento pela visibilidade das pessoas trans”, ele traz ícones da militância trans como o escritor João Nery, Keyla Simpson, Tathiane Araújo, Pri Bertucci e também outros profissionais, como o jornalista Patrick, a gestora Paula Benett.

Na página, há a informação que o Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo (TEGEU, 2016). Entre 2008 e 2016, 900 pessoas trans morreram violentamente no país (RedeTrans, 2017). E a expectativa de vida é de 35 anos (CIDH, 2015) enquanto a do brasileiro cis médio é de 70 (IBGE). Tudo devido a transfobia e ao estigma.

A travesti Rhany Merces, sua história
está ao fim da matéria
Para mostrar além de números e transfobias, a ONU trouxe uma campanha mostrando o rosto dessas pessoas, nas mãos da artista plástica Carol Rossetti (dos livros Mulheres e Cores), que usou aquarela para desenhá-las, e também contando um pouco a história delas.

"Me sinto honrada. Meu trabalho acabou tendo um foco grande em direitos humanos. Essa campanha ficou linda, adorei terem pessoas não-binárias também. E é muito importante ela vir da ONU. Porque o alcance de iniciativas independentes é limitado. Quando vem da ONU, que tem esse nome, essa credibilidade, não só entre ativistas, mas entre pessoas que podem nunca ter parado para pensar nas questões LGBT. Poxa, isso é muito importante", declarou Carol ao NLUCON.


Ao fim do projeto, eles dizem: “Se você é favor da igualdade de direitos da população trans e do respeito à identidade de gênero, curta, comente, compartilhe. Demonstre que você se importa”.

Abaixo, algumas das histórias. Você pode ver todas clicando aqui .


João, 66 anos, escritor, ativista e trans homem. Para poder ser quem ele é, renunciou até ao diploma em Psicologia. Com seu livro “Viagem Solitária”, ajudou pais e filhos, ocupou espaços públicos e abriu caminhos para toda uma geração de pessoas trans no Brasil. Na Câmara dos Deputados, um Projeto de Lei de identidade de gênero leva o seu nome: Lei João W. Nery. No país em que mais se matam pessoas trans, ele se sente assim: um sobrevivente



Keila, 51 anos, é orgulhosamente uma "Travesti com 'T' maiúsculo" de Esperantinópolis, Maranhão. O nome da cidade deu o norte de sua vida, dedicada a esperanças e aspirações que pareciam – apenas inicialmente – inalcançáveis. Pioneira da articulação nacional de travestis e transexuais e referência do movimento por direitos humanos no Brasil, ela luta para que as próximas gerações de pessoas LGBTI tenham mais respeito, dignidade e cidadania ¬– e, principalmente, para que todas as travestis como ela possam ser protagonistas de suas vidas.



Patrick tem 25 anos, é jornalista e vive no Rio de Janeiro. Dentre inúmeras outras coisas, ele é também um homem trans. Para Patrick, transicionar foi o que lhe salvou a vida. A fase do medo passou e abriu caminho para a coragem. Não só a coragem de ser quem é – sem concessões ou meio termo –, mas também a de levantar a bandeira pelo respeito e pela visibilidade que as comunidades trans e negra merecem.



Paula, 36 anos, é uma mulher transexual, ativista, gestora pública e poetisa. Quando nasceu, a frase célebre de Simone de Beauvoir parece ter ecoado na distante Miraí, interior de Minas Gerais. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Paula sabe bem disso – e viveu todas as dores de ser mulher na pele. Enfrentou obstáculos e preconceitos, mas sempre levantou a cabeça e seguiu adiante. Hoje, ela é a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira no Conselho da Mulher do Distrito Federal.



Pri tem 38 anos e é de São Paulo, onde trabalha como artista social. Ile se identifica como gender queer (gênero queer), desafiando os binarismos que estruturam o gênero e as normas da sociedade. Para ile, ser queer é ter a possibilidade de uma existência consciente – e na pulsão da vida! –, agindo eticamente para que as gerações futuras possam desfrutar de um mundo saudável e com igualdade de direitos para todos, todas e todes.



Sebastian é um homem trans de 27 anos de Belém, Pará. Além de ser tatuador, atua também como ativista pelos direitos humanos. Ele acredita em mudar o mundo pelo amor e espera que a sociedade aprenda a respeitar as pessoas trans e a diversidade dos corpos. Hoje, ele diz que sente sua alma livre – e que sorrir nunca teve tanto significado. Sebastian transborda na militância por visibilidade e respeito, lutando para ver essa liberdade estampada no sorriso de muitas outras pessoas trans.



Tathiane, 35 anos, é uma travesti de Aracaju, Sergipe. Ativista desde cedo, ela trabalha incessantemente para tornar realidade políticas públicas que contemplem a população trans no Brasil. O maior problema da transfobia, segundo Tathiane, é a falta de amor ao próximo. No País que não possui nenhuma lei reconhecendo a identidade de gênero e que ainda hesita para reconhecer a cidadania plena das pessoas trans, Tathiane não tergiversa: tem orgulho de quem é hoje e diz, sem dúvidas, que é feliz.




Taya, 23 anos, vive em Brasília e está se formando em Comunicação Organizacional. Ela é travesti – com muito orgulho! –, mas não se deixa definir exclusivamente por sua identidade de gênero: ainda que tentem reduzi-la àquilo que discriminam, ela traz em si uma infinidade de mundos e atributos. Sua história e trajetória nunca caberão na pequenez dos preconceitos – e dos pré-conceitos das pessoas. O recado de Taya é um só: respeita as mina, respeita as trans!

Rhany, 30 anos, nasceu no Morro das Pedras, Belo Horizonte. Enquanto mulher trans e negra, ela sabe o quão difícil é enfrentar preconceitos: ser transexual hoje significa romper tabus e estigmas a todo instante. Foi por meio do envolvimento com a arte, a militância e a cultura, principalmente a afro-brasileira, que Rhany pôde construir, simbólica e efetivamente, sua identidade de gênero e raça. No futuro, ela espera ver todas as mulheres negras – principalmente as trans – respeitadas, visibilizadas e empoderadas.

Veja a campanha na página da ONU Brasil clicando aqui. 

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