Pop e Art

Oscar 2017 deixa de fora a atriz trans Alexis Arquette de homenagem póstuma


Em sua tradicional homenagem aos artistas que contribuíram para a sétima arte e morreram, o Oscar 2017 simplesmente “esqueceu” de Alexis Arquette. Ela, que era uma mulher trans, ficou de fora do tributo in memoriam e deixou seus irmãos atores, como Patricia Arquette, desapontados.

Patricia afirmou à Vanity Fair que estava feliz em ver que Moonlight ganhar o Oscar num mundo onde não se aceita os gays. “Mas estou chateada, porque para o in memorian eles deixaram de fora nossa irmã: ela era a única que faltava”, declarou.

"Ela se recusou a fazer papeis humilhantes
ou estereotipados"
Ela afirmou que apesar do desapontamento não ficou surpresa: "A realidade é que as pessoas trans são ignoradas o tempo todo em nossa cultura e nossa comunidade. Eles têm seus direitos civis tirados. É uma comunidade muito desrespeitada”.

Alexis morreu em setembro do último ano Aos 47 anos e era considerada uma pioneira trans no cinema de Hollywood. Tinha mais de 70 trabalhos, incluindo The Wedding, Singer, Pulp Fiction e a Noiva de Chucky. Após revelar uma mulher trans, viu seus trabalhos diminuírem.

“Teve uma grande carreira como homem , e assim que saiu como uma mulher trans e viveu sua verdade, sua carreira foi interrompida. Apesar do fato de que há poucos papeis para atrizes trans, ela se recusou a desempenhar papeis humilhantes ou estereotipados. Foi uma vanguarda na luta pela compreensão e aceitação das pessoas trans”.
Alexis e a irmã Patricia
A irmã afirma que não há justificativas para o esquecimento, sobretudo num momento em que crianças trans não estão podendo sequer ir ao banheiro nas escolas e estão sendo diminuídos na sociedade.

 “É realmente lamentável que o Oscar decidiu que não poderia mostrar uma pessoa trans que era uma pessoa tão importante nesta comunidade. Porque poderia ter uma significado muito grande para essas crianças”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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