Realidade

Universitária trans Ágatha Mont é encontrada morta aos 26 em Itapevi, SP



A universitária Ágatha Mont, mulher trans de 26 anos, foi encontrada por guardas civis morta na madrugada de sábado (4) semana no Jardim Rosemeire, bairro no limite entre Cotia e Itapevi, em São Paulo.

Ela estava nua, caída de bruços no chão, com uma camisa enrolada no pescoço, além de hematomas na cabeça, rosto e costas, o que policiais inicialmente apontaram como enforcamento. 

De acordo com o jornal local Itapevi Agora, uma ambulância do Samu chegou a ser acionada, mas Ágatha já estava morta. Os guardas preservaram o local durante cinco horas até a chegada da perícia.

Família não acredita em "insuficiencia
no miocárdio", apontado pelo IML
A família só ficou sabendo da morte na manhã de segunda-feira (6) e devido a violência que ela sofreu não acredita no laudo do IML. O laudo apontou "insuficiência no miocárdio", ou seja infarto como causa da morte.

“Minha irmã estava toda machucada, muita marca de agressão. No rosto, nas costas, na cabeça. Foi assassinato. Não estamos aceitando como infarto”, declarou o irmão Arthur Rodrigues ao site Ponte.

Ágatha era estudante de licenciatura em artes na FMU (Faculdades Metropolitas Unidas). No último ano, ela denunciou o sofria toda vez que ia ao banheiro feminino e encontrava pichações na porta, tais como "Respeite o espaço das mulheres". Macho de saia não".

Na época, ela disse: "Eu nunca tive problemas deste tipo na minha família, na escola também não. Mas passar por isso em uma faculdade em que forma professores me deixou chocada", declarou ao G1. Ela também sonhava em trabalhar com artes cênicas e já havia feito algumas peças de teatro.


Em nota, ao ser questionada pela reportagem da Ponte, sobre as circunstâncias da morte da vítima, a Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, enviou uma nota que instaurou um inquérito policial para investigar a morte de "um homem" (...). Diligências estão feitas para localizar câmeras de segurança na região e o delegado titular aguarda o resultado dos laudos".

O sepultamento ocorreu nesta terça-feira (7), às 9h.  

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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