Pop e Art

Aos 68, Divina Aloma brilha como Diana Ross em escola do RJ


Uma das grandes artistas travestis em atividade, Divina Aloma foi um dos destaques do carro das Divas da Era do Disco na noite de terça-feira (28) na Unidos da Tijuca.

"Travesti é luxo"
Conhecida pelas performances impecáveis, plumas, brilhos e paetês, Aloma estava com um sobretudo prateado e encarnando a própria artista Diana Ross na Marquês de Sapucaí.

Na tela da TV Globo, era possível ver Aloma sorridente e com o seu vestido prateado, acenando para o público. Foram várias aparições e prints de amigos e fãs nas páginas do Facebook.

Tudo isso no auge de seus 68 anos muito bem vividos. “Eu ostento o glamour, a beleza, e o respeito com o público. Faço até as minhas roupas. Sou de uma época em que travesti era luxo”, contou em entrevista.

Felizmente, Aloma não estava no carro que despencou e machucou 20 pessoas. Apesar do acidente, a escola não foi rebaixada. Neste ano, o enredo foi Música na alma, inspiração de uma nação”, inspirada num encontro fictício de Pixinguinha e Louis Armstrong.





Além disse, Divina Aloma teve pique para ir ao SCALLA GAY do Milton Cunha, participou da Banda das Quenga, no aniversário de Beto Moraes e Unidos da Meio Mundo. Ufa! “É só glória”, comentou Aloma em uma das postagens.

ALOMA, UMA REFERÊNCIA


Divina Aloma se tornou nacionalmente conhecida em 1972, quando estampou a quatro páginas da extinta revista Cruzeiro com o título "Eu sou uma Ilusão". Nela, contava a sua trajetória de vida e todo o frisson que causava pela sua beleza.

Aloma foi a primeira a ser matéria
da revista Cruzeiro
"Desde os 15 eu me visto de mulher, mas sempre soube", disse ela, que nasceu em Salvador e passou grandes dificuldades no Rio de Janeiro aos nove. "Durante quatro anos morei na rua, com os mendigos. Sempre digo que minha faculdade são os mendigos".

Iniciou a carreira vestindo as artistas da época, até que teve a oportunidade de substituir a vedete Lorena na peça Les Girls, no Teatro Carlos Gomes. 


"Tentaram me maquiar de maneira horrorosa. Diziam: 'Negrinha, você é apenas uma vestidorazinha'. E eu pensava: 'Um dia essa negrinha ainda vai surpreender vocês". E está nos palcos até hoje, atualmente morando no Rio de Janeiro.

"Mostro que tenho arte, que sempre tive alma de artistas e que elas só me serviram de escola", afirma Aloma, uma das artistas mais completas, cheias de energia, glamour e beleza até hoje. Para Divina Aloma, sim divina, todos os aplausos!

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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