Header Ads

Bárbara Aires explica transfobia e dispensa em “Amor e Sexo”: “Fala é uma, prática é outra”


Por Neto Lucon

A assessora parlamentar, consultora e ex-produtora Bárbara Aires, que é uma mulher transexual, fez um desabafo em seu Facebook na última quinta-feira (2) depois de assistir ao programa “Amor e Sexo”, da TV Globo, no qual trabalhou por dois anos.

Tudo porque Fernanda Lima disse no ar que uma das maneiras de tirar as travestis da marginalidade é investir em empregabilidade. "Pura hipocrisia”, frisa Bárbara.

Segundo ela, quando a apresentadora "assumiu a redação do programa, a expectativa era de que seu contrato fosse renovado, inclusive eu iria deixar de ser consultora para pesquisadora e ter um contrato fixo, mas fui dispensada sem nenhuma explicação". 
Bárbara ficou três anos desempregada.

“Muito fácil se dizer sem preconceito, fazer discursos lindos, falar de empregabilidade, e usar uma trans apenas como estilista. Mas quando pode manter uma trans na produção, não, imagina. Ou para ter ibope, como foi hoje”, desabafou ela, que fez parte da produção de janeiro de 2012 a dezembro de 2013, ganhando mil reais.

Em conversa com o NLUCON, Bárbara afirma que sua contratação como consultora do programa se deu depois que participou da plateia e fez uma fala explicando sobre a questão trans. O antigo diretor Ricardo Waddington e o redator Rafael Dragaud se surpreeenderam e a convidaram para um teste de um mês. Resultado: permaneceu por dois anos, teve crachá com nome social, divulgação no programa e o trabalho elogiado pelos chefes.


MUDANÇA NO PROGRAMA/ ÚNICA A SAIR

Quando Fernanda deixou de ser apenas a apresentadora e passou a ser redatora final juntamente com o empresário e assessor, Antônio Amâncio, Bárbara afirma que a situação mudou. “Ele não me cumprimentava, quando a pauta era minha, ele não perguntava para mim. No máximo, balançava a cabeça. E contestava qualquer coisa que eu colocava. Ela era educada, falava comigo, nada além”.

Ela afirma que depois de dois anos de serviços prestados, e a expectativa do RH de ser contratada como pesquisadora, um contrato fixo na Globo – algo que não era até então - seu contrato não foi renovado. Em seu lugar, foi incluída uma mulher cis.

“Procurei a Fernanda por e-mail, tentei dialogar, ela nunca me respondeu. Nem para falar que não era mais necessária para o programa. Tudo aquilo que falou no programa foi uma grande hipocrisia. Porque a fala é uma, mas a prática é outra”, desabafou. Ela diz que não culpa a empresa pela sua não continuidade. "Dado que meu cargo era de responsabilidade de um chefe direto". 

Bárbara diz que sabe que demissões e contratos desfeitos ocorrem sempre. Mas frisa que para quem tem sensibilidade pela causa trans, sabe o quanto é difícil se recolocar no mercado de trabalho. “Que a partir de agora ela traga pessoas trans como jurados fixos, que uma assistente travesti seja colocada, como o Borat é. Se é empregabilidade que precisamos, taí a oportunidade de mostrar”.


PORTAS FECHADAS NA GLOBO?

Atualmente, Bárbara cursa Comunicação Social na FACHA e acaba de finalizar a consultoria do quadro especial “Quem Sou Eu?”, do Fantástico, da TV Globo, e que estreia no dia 12 deste mês. Com Renata Ceribelli, o programa vai falar sobre travestilidade, transexualidade e transgeneridade.

E, como noticiamos, ela também é assessora parlamentar do David Miranda (PSOL-RJ). “Estou tendo uma assessoria jurídica caso precise de ajuda. A gente não pode ser conivente com a discriminação e a hipocrisia. A gente tem que falar e praticar”, finalizou, tendo pelo menos quatro anos de emprego fixo.


A assessoria de Fernanda e do Programa Amor e Sexo foram procuradas, mas não responderam as nossas ligações até o momento. 

Um comentário

Dayana Gorges disse...

Que bom que Bárbara conseguiu expor como realmente são as coisas. Feliz pela atitude dela.

Tecnologia do Blogger.