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Carol Marra diz que se incomoda de ser chamada de trans: “Sou mulher como qualquer outra”


A atriz Carol Marra, que está no filme A Glória e a Graça, declarou em entrevista ao programa Encontro com Fátima Bernardes, que foi ao ar na quinta-feira (30) que se incomoda de ser chamada de “trans”. E frisou que é uma mulher como qualquer outra.

“Eu me incomodo com o nome trans, eu sou uma mulher como qualquer outra. A genitália não caracteriza o sexo da pessoa, acho que o sexo está na cabeça”, afirmou ela.

Porém, ao ser perguntada por Fátima qual seria a diferença da travesti e da transexual, ela utilizou a genitália para a comparação: “A travesti aceita a sua genitália e usa a sua genitália com o parceiro. A transexual rejeita, aí a necessidade da cirurgia para a mente se adequar ao corpo.

(Obs: O NLUCON respeita sempre a autodefinição e frisa que somente a pessoa pode dizer o que ela é – rejeitando as definições de outros sobre o próprio corpo e identidade. Como Carol disse em sua primeira declaração, não é o genital que define uma pessoa - tampouco uma cirurgia. Isso não quer dizer que as cirurgias não sejam necessárias e que não sejam uma questão de saúde para muitas pessoas. Elas devem ser garantidas, bem como as identidades trans (travesti, mulher transexual...) despatologizadas.


Carol Marra e Carolina Ferraz
Durante o programa, Carol afirmou que antes de se revelar mulher trans viveu uma mentira para a família, para a sociedade e para si mesma. “Eu não me aceitava no meu corpo, parecia que eu estava com a roupa do avesso. Na adolescência, conheci meninos gays, mas não tinha interesse por eles. Eu tinha interesse pelos namorados das minhas amigas e aquilo era muito louco”.

Ela afirma que foi com a ajuda da psicanálise que conseguiu se entender. “Durante muitos anos eu tinha outra vida. Eu saía de casa com uma roupa, trocava e quando chegava eu destrocava novamente. Eu tinha medo da reação dos meus pais, de agredir e decepcionar. Quando eu falei em casa, houve um silêncio, minha mãe chorou, eu chorei”, lembrou, salientando que fez um paralelo com a metáfora da lagarta e borboleta. 

Depois que Carolina Ferraz comentou que Carol é muito mais feminina que ela, Marra comentou: “Eu quero ser uma mulher ao cubo. A gente tem essa preocupação de estar muito feminina”. “E virou essa deusa”, declarou Carolina.

No programa, ainda teve declarações de Carolina Ferraz sobre transfobia (clique aqui) e do professor de português Pasqualle sobre o melhor tratamento para as travestis (clique aqui).

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