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Em BH, grupo protesta e cobra agilidade na investigação do assassinato da travesti Mirella de Carlo


Um mês após o assassinato da travesti Mirella de Carlo, que foi estrangulada em seu próprio apartamento em Belo Horizonte, um grupo de cerca de 50 pessoas foram no domingo (19), a partir das 14h, na Praça Sete, centro da cidade, para protestar e cobrar a investigação deste e de outros com motivação transfóbica.

+ Querida nas redes sociais, travesti Mirella de Carlo é encontrada morta em BH


“Lutamos pela vida, abaixo a transfobia”, gritavam em coro o grupo. Francis Ferreira carregou o cartaz: "Chega de tantos crimes sem solução. Transfobia não". Alexandra Beatriz trouxe a mensagem: "Brasil: Pura hipocrisia. O pais que mais acessa conteúdo pornográfico de pessoas trans é o que mais mata travestis e transexuais no mundo!".

De acordo com Anyky Lima, militante da Antra (Associação Nacional de Travestis e Transexuais), a intenção é que a sociedade “acorde para estes crimes bárbaros que estão acontecendo diariamente contra as travestis e transexuais”. Ela afirma que quando uma vítima é travesti ou mulher transexual não solucionam os casos.

Ao jornal O Tempo, Rhany Mercês, que é diretora do Cellos (Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual em Minas Gerais), declarou que a intenção é mostrar que a população trans existe e que está "ocorrendo um genocídio de pessoas trans. Não queremos só resolver esse caso da Mirella, mas causar uma sensibilização para a causa".
Mirella de Carlo foi brutalmente assassinada em seu apartamento

Ao NLucon, a militante Sissy Kelly afirmou que o protesto foi uma ação conjunta e unificada de todas as pessoas trans e outras da sigla LGBT, "com a finalidade de cobrar uma apuração mais consistente e rigorosa  nos crimes ocorridos no estado de Minas Gerais. "Além deste caso, temos uma jovem trans profissional do sexo na região Pedro Segundo sumida há quase um mês e sua família anda recebendo telefonemas e sendo pressionada", pontua. 

Ao falar sobre a manifestação, que contou com cerca de 50 pessoas, a artista e ativista Cristal Lopez diz que o ato foi bom, mas poderia ser melhor. "Não adianta militar só no Facebook, devemos mostrar nossa cara para que parem de matar pessoas LGBT. É importante mostrar o apoio a causa e exigir do Estado que a justiça seja feita perante a morte de pessoas LGBT. Porque quando uma travesti rouba, ela é presa imediatamente, mas quando ela é morta a justiça demora a tomar providências a respeito. Não toleraremos mais crimes de ódio".






Sobre o caso de Mirella, a Polícia Civil ainda não concluiu o inquérito há um mês, nenhum suspeito foi localizado e ninguém foi preso até o momento. A Polícia diz que o caso passa por investigação, que diligências estão sendo realizadas e que testemunhas já foram ouvidas. Porém, a família da vítima alega que “a polícia não tem dado a devida importância ao caso e não informa o seguimento das investigações”.

O grupo fez um minuto de silêncio em memória à Mirella e também a todas as vítimas de transfobia. Em Belo Horizonte, quatro travestis foram mortas na capital somente em 2016 e 28 em todo o país, segundo a Rede Trans. Mas o número tende a ser maior, uma vez que muitos casos não são noticiados e são subnotificados. o Brasil continua sendo o país que mais mata a população trans no mundo (TGEU)

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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