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Em entrevista a Regina Volpato, taróloga trans Magô Tonhon diz que “sexto sentido independe de gênero”


A taróloga, professora de francês e mestranda em Estudos Culturais pela USP, Magô Tonhon foi entrevistada pela jornalista cis Regina Volpato no quadro “Vem Mulher”, do seu canal no Youtube. E falou sobre “sensibilidade feminina”. Ela é a única mulher trans a participar do quadro. 

Magô declarou que tem abertura para esse tipo de sensibilidade, que faz uma reflexão consigo mesma e que sempre abre o tarô buscando um caminho. Porém, ela frisou que não acredita que a sensibilidade deva ser separada por gênero.

“Quando a gente pensa em sexto sentido como exclusividade da mulher, isso está atrelado a uma série de outras questões, que pode aprisionar a mulher de outras possibilidades, que não essa. Como se todas as mulheres fossem por si só sensíveis. Então, penso (no sexto sentido ou na sensibilidade) como uma possibilidade humana e independente do gênero”, disse.

Em conversa posterior com o NLUCON, Magô relatou 
que não fazia sentido essencializar a mulher e as questões femininas sendo uma mulher trans que batalha pela legitimidade da própria identidade, o que passa inclusive por des-essencializar o gênero e os olhares que aprisionam na biologia a justificativa para essas essencializações. E que, ao seu ver, partir do pressuposto de que 'toda mulher tem sexto sentido' reforçaria essa lógica.

Ela, que é taurina mas tem o signo de câncer no ascendente e na lua no seu mapa natal, afirmou que muitas vezes a sua intuição está dizendo uma coisa, mas o oráculo diz outra. “É engraçado que a gente pensa no sentido como norteador, mas a gente também tem a capacidade de agir e a capacidade de fazer escolhas erradas”, afirmou, salientando que muitas vezes a pessoa sabe, por exemplo, que está em uma relação tóxica e permanece.


Em sua vida pessoal, Magô contou que vive um relacionamento há cinco anos com Lúcio, que a conheceu antes da transição. “É um grande parceiro, é uma relação de caminhada. Sem o apoio dele, eu não teria os acessos e possibilidades que eu tive. Tem sido encandecedor. É uma experiência fortalecedora”, afirmou.

Sobre o trabalho como produtora do [SSEX BBOX], que anualmente promove a Conferência Internacional [SSEX BBOX], Magô afirmou que atualmente está levando conteúdo para empresas, seja preparando gestores ou funcionários. “As empresas procuram (...). Teve um líder que não estava entendendo a questão do banheiro para uma travesti e eu tive que explicar a diferença de identidade de gênero e expressão de gênero”, exemplificou.

No bate-papo, ela também comentou a origem do seu nome, Magô, e do canal Voz Trans (clique aqui), um meio de divulgar suas participações em debates e eventos, e também entrevistar pessoas, preferencialmente pessoas trans. E revelou ainda pensar no quadro “Magô Sem Glúten”.

Confira tudo isso na entrevista abaixo:


About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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