Entrevista

“Faço questão de dizer que sou mulher transexual”, diz a miss Náthalie de Oliveira


Por Neto Lucon

A brasileira Náthalie de Oliveira foi eleita na sexta-feira (10) a segunda mulher transexual mais bonita do mundo, durante o concurso Miss International Queen, em Pattaya, na Tailândia. Vice no campeonato, ela mostrou muito mais que beleza: mas charme, inteligência e talento.

Nascida em Bom Jardim, interior do Rio de Janeiro, ela sempre gostou de fazer história. Aos 17 anos, passou em primeiro lugar no concurso público da cidade. Também cursou enfermagem e driblou os comentários transfóbicos dos colegas. “Sempre soube me impor e mostrar que não somos bicho de sete cabeças”.

Quando venceu o Miss T Brasil
Depois, tentou o Miss T Brasil em 2013, em 2014 e, por fim, em 2015, quando finalmente levou o título. Na época, muito se falou sobre sua forma física e a ausência de cirurgias, que estava “aquém dos concursos de beleza”. Hoje, com uma excelente colocação no concurso internacional, ela sambou na cara das inimigas. 

Aliás, pouco antes de ir ao Miss na Tailândia, Náthalie conversou pessoalmente com o NLUCON em um shopping em São Paulo. Disse que não gostaria de ter nascido uma mulher cis, que tem orgulho de ser uma mulher transexual e admite os seus privilégios. “Cada história é única e acho que esse é o meu diferencial”.

Confira o que pensa a nossa miss:


- Toda vez que eu escrevo matéria de miss, as pessoas falam: “tem tanta travesti e mulher transexual morrendo e você dando visibilidade para concurso de beleza”...

Os meios de comunicação dão prioridade para as notícias ruins. Mas de tantas notícias ruins, a gente tem as boas e a gente acaba esquecendo. É óbvio que existem mortes, que a gente não pode deixar de lado, não podemos esquecer dessa violência. Mas eu acho que focar apenas em notícias ruins acabam com a nossa autoestima e nos coloca para baixo. Acho que podemos mostrar nossas competências, habilidades, possibilidades, um lado positivo de ser trans. Eu posso ser uma miss, uma modelo, eu posso ser quem eu quiser ser, pois a minha vida me pertence. É dizer que, diante de tanta violência e preconceito, temos motivos para sorrir e ter esperanças. (Durante o concurso, Náthalie aproveitou da sua visibilidade para falar sobre a transfobia no Brasil e citou o caso da Dandara).
Proud Project ( OAT-CHAIYASITH)

- Você já tentou três vezes ser Miss T Brasil e hoje é a segunda mais bonita do Mundo no Miss International Queen. Ser miss era um grande sonho?

Não foi, mas acabou se tornando. Em 2013, era uma garotinha gordinha do interior que recebia bastante elogios, então achava que era capaz de vencer. Fui e não ganhei, mas não fiquei chateada. Não tinha o brilho nos olhos pela coroa e nem pela faixa. No ano seguinte, um dos prêmios era a CRS (Cirurgia de Redesignação Sexual) e então eu me inscrevi novamente pensando no título, mas na cirurgia. Já em 2015 foi para provar para mim mesma que, se eu corresse atrás de verdade, eu poderia ser miss. É claro que veio pelo interesse da cirurgia, mas não foi a prioridade. Eu já tinha mais consciência de querer representar a classe, o meu município e de ter a coroa.

- Quando você ganhou, falaram que você estava "fora de forma". Como você lidou com as críticas em relação a peso?

Tive consciência de que independente de quem ganhasse, poderia ser a mais magra ou a que mais tivesse silicone, sempre teria algum tipo de cobrança. Afinal, ninguém é perfeita. Mesmo tendo ganhado um pouco acima do peso, foi um orgulho para a minha cidade e fico pensando em quantas meninas gordinhas puderam se espelhar. Hoje, eu não faço mais parte do grupo de gordinhas, mas eu vivi a minha vida toda como gordinha. E até acho mais bonito o padrão de uma mulher mais cheinha, mais gostosa. Hoje, me adequei ao concurso, mas não penso viver assim o resto da minha vida. Acho que independentemente de estar magra ou gorda, o importante é se sentir bem. Hoje em dia a gente tem o mercado plus size também. Então, veja, uma mulher trans, que é uma minoria, gordinha, que é outra categoria, em um concurso de beleza. Por que não? Acho que é bacana esse olhar também.

- Um ano de preparação de preparação com a Majorie Marchi (organizadora do concurso, que morreu no último ano) e ela morreu... Como foi interromper o processo?

Não chegou a ser nem um ano. Eu fiquei triste pela perda, desanimada, desmotivada, achei que mais nada fosse acontecer. Só que depois apareceu a Alessandra Vargas, que foi madrinha, ela me adotou praticamente, mora na Alemanha e me ajudou na questão financeira. Tive que colocar prótese, fiz rifa, eu fazia almoço beneficente, eu fazia o escarcéu para participar e sempre consegui. E ela acabou inteirando o valor que faltava. A minha inscrição no concurso também foi paga por ela. Tive contato com o Ribas Azevedo, que me patrocinou. Hoje, mostro para a Majorie que não decepcionei.

- O que acontece depois que você ganha a faixa? O que ninguém fala?

Assim que ganhei o concurso, achei que as coisas fossem mais fáceis, mais encaminhadas. Mas vi que quando você coloca uma faixa e uma coroa na cabeça as responsabilidades aumentam. A cobrança pelo padrão de beleza aumenta. Querem um estereótipo. E mesmo não querendo fazer parte deste estereótipo, a gente só vai ter chance no próximo concurso desta forma. Tive que me empenhar na dieta e em toda a preparação. Só que como o concurso foi adiado (morreu o Rei da Tailândia), tive mais tempo de me preparar, emagreci 26 e até a minha cirurgia de redesignação (CRS) foi antecipada.
Durante o MIQ, no traje típico

- A CRS que você fez foi por meio do concurso Miss T Brasil?

Na verdade a Kamol, que é patrocinadora do Miss T, oferece voucher de cirurgias plásticas. E eu optei por essa cirurgia de redesignação. E eles bancaram a cirurgia. Eu concordo que lá ainda seja o melhor lugar, mas já escutei opiniões diversas sobre a cirurgia.

- Você chegou a fazer outra cirurgia?

Na Facial Teen em São Paulo em fiz frontoplastia e também coloquei a prótese de silicone. E ao contrário do que as pessoas falam, eu não coloquei pelas críticas que recebi pelo concurso. Porque disseram que trans para ganhar concurso tinha que ter peito. E eu não acho isso. A gente vê aquelas que se sentem bem sem. A modelo Valentina Sampaio é um exemplo de top model e nem por isso está se quebrando toda, né? É super feminina, super bonita e está aí no mercado. Afinal, sabemos que não é a cirurgia que faz de alguém mulher. Mas eu sempre quis colocar, porque para mim é um agregador de feminilidade.

- Sobre a CRS, o o que mudou em sua vida?

Mesmo com a cirurgia eu vou continuar sendo uma mulher transexual. Estou falando isso porque muitas, após a cirurgia e trocar os documentos, querem ter uma identidade de mulher cis, mudam de cidade e fazem de tudo para esconder o passado. Acho que você sofre menos aceitando quem você é. Meu corpo já passou por algumas adaptações e eu procuro viver da melhor forma possível. Eu me enxergo como mulher, meu marido me enxerga como mulher, minha família também. O que eu preciso é que as pessoas que me amam e que me respeitam me enxerguem dessa forma. Já as pessoas que não me amam, não me respeitam, não querem me ver feliz, eu não me importo com elas. Na verdade, eu faço questão de falar que sou uma mulher transexual, sabe?

- Me explica...

Cada pessoa é única. Mas no meu caso – e eu estou falando de mim, tá? – é o que fez a diferença na minha vida. É o que me fez estar aqui hoje dando essa entrevista, participar do concurso, ganhar, ir para outro país... Talvez se eu nascesse uma mulher cis, acho que eu seria meio sem sal. Eu me movo na dificuldade. Eu busco o problema para solucionar, sabe? Eu gosto de ser desafiada, e ser bem-sucedida. Eu gosto de ser mais notada, porque isso acontece, né? Normalmente a gente tem uma estatura mais alta, às vezes é o subconsciente da pessoa ficar te olhando. E depois contar: eu sou uma pessoa trans. E a pessoa falar: nossa, que bacana. Eu gosto de ouvir isso. Eu gosto de ouvir que a diferença também é aceita, ela não é só julgada.

- Se alguém te apontar e falar que é travesti, isso te incomoda?

Sou bem tranquila quanto a isso. Me chamem do que quiser. Até porque o concurso que ganhei era de travestis e transexuais, então eu represento toda uma classe. Todas nós passamos por fases, passamos por um processo e em algum momento já podemos ter ficado em dúvida em uma ou outra nomenclatura.
Nos bastidores do Miss International Queen 2017

- Se existisse uma outra vida, e a sua resposta valesse mesmo, você voltaria como mulher trans de novo?

É uma vida que envolve muitas dificuldades, mas que eu tive muita sorte. Se fosse para voltar com a sorte que eu tive, de olhar no espelho, me sentir bem e conquistar o meu espaço, eu voltaria. Mas se for para voltar como transexual e não saber se vou conseguir fazer as mudanças que eu tanto quero, não saber se vou conquistar o espaço, se vou sofrer violência, é frustrante e eu não encararia. Cada uma tem uma história para contar, e eu reconheço que tenho privilégios. E não gostaria que fosse uma exclusividade minha, porque a gente vê que tem uma a cada mil com esse padrão mais comum. É difícil porque a cabeça das pessoas ainda é fechada. É difícil falar que identidade de gênero não tem relação a valores, índole...

- Trans-fobia é medo de trans. Você acha que as pessoas têm medo de uma pessoa trans?

Acho. E acho que a gente acabar com isso. Tem gente que acha que só por ser trans é marginal. Esquecem que tem gente boa e ruim em todo lugar. Isso é índole, não tem a ver com a identidade de gênero. A transexualidade é só mais uma característica, não é apenas o que define. Às vezes eu vejo na televisão: “travesti assaltou”, “travesti espancou” e eles fazem questão frisar que foi uma travesti. E as pessoas tendem a achar que toda travesti faz aquilo ali, mas não... É como se não quisessem dar crédito para esse grupo, porque esse grupo é marginal.
- Você já sofreu transfobia?

Desde sempre chamei muita atenção, então desde pequena eu recebia uma abordagem dos homens voltada para a promiscuidade. Algumas vezes aconteceram inconvenientes, mas nada que me tirou do sério. O mais sério aconteceu quando fui fazer exame médico no laboratório da minha cidade e os papeis vieram com o nome social Nathalie de Oliveira. Quando cheguei para fazer o exame a atendente não aceitou porque havia divergência de nome. Da identidade era um e no pedido de exame era outro. Foi transfobia porque mostrei o meu cartão do SUS, que unifica os dois nomes. Tentei explicar o respeito ao nome social naquela fila do SUS, me expondo daquela forma.

- Como foi o seu processo de transição em sua cidade?

O meu pai rejeitou de cara, já a minha mãe, apesar de triste, ela conversava bastante comigo. Depois eu entendi o lado dela, pois ela ficava triste em relação ao que eu sofreria. Eu comecei tudo isso com 14 para 15 anos, com pequenas mudanças e de repente estourou. Hoje eu tenho aprovação do meu pai e da minha mãe, mas eu precisei provar. Sabe aquela coisa o “filho pródigo à casa torna”? Então os pais quiseram se orgulhar de mim, independente de gênero, de sexualidade. Eles viram que o fato de eu ser trans não mudou a minha moral, a minha conduta, a minha ética, aquilo que eles criaram. Só fiquei de uma forma diferente e com um agir diferente.

- E como foi a questão da hormonização em uma cidade pequena?

Difícil, viu? (risos). Porque não tinha nenhuma informação, procurei endócrinos que não sabiam de nada. Comecei com o velho e bom Youtube e no começo fazia a loucura de tomar o hormônio tal de quinze em quinze dias, ou de tomar cinco comprimidos que te deixa... Enfim, faz muito mal à saúde. Hoje eu faço o uso do hormônio em gel, que é o menos prejudicial à saúde. Até então, eu descobri que no Rio tinha um lugar que fazia tratamento para transexuais que queriam se operar pelo SUS. E davam, não só hormônio, mas todo tratamento psicológico para emissão de laudo e entrada na fila. Como eu não tinha ganhado concurso, fui para essa fila também.

- Muitas misses trans do passado fizeram o uso do silicone industrial. O que pensa sobre ele?

Acho que devemos fazer tudo nessa vida para se sentir melhor, mas existem coisas que a gente faz e depois se arrepende. O silicone, pelo que eu observo, é como se aplicasse uma dinamite no seu corpo. A qualquer momento ele pode acender e explodir. Três anos estudando enfermagem, eu seria uma louca se dissesse que colocaria. E mesmo se eu fosse muito magrinha, eu ia tentar dieta, exercício, tentar outros recursos. O grande problema é que a gente quer o resultado imediato, então a gente acaba se submetendo. E quase sempre se arrepende. Você leva uma pancada, o silicone reage e te dá N problemas.
Em foto de divulgação do Miss International Queen

- Quando era criança, você tinha alguma referência de feminilidade ou beleza?

Eu não tinha nem consciência de que existia a transexualidade. Então nunca tive uma trans como referência. Me espelhava muito na minha mãe. Ela era aquela pessoa que cuidava da casa e dos filhos e eu era aquela pessoa que me enxergava daquela forma daqui uns anos. Eu aprendi fazer crochê, bordado, a cozinhar, eu queria ser como a minha mãe. Depois, passei a admirar a Marcela Ohio, a Rafaela Manfrini, que são misses trans que eu considero exemplo de beleza. E também a Lady Gaga, que nos representa.

- Você já chegou sair na mídia anteriormente por ter sido a primeira do concurso público. Como repercutiu?


Normalmente a transexualidade e travestilidade são associadas à marginalidade e prostituição. E com 17 anos, eu passei no concurso público da minha cidade e calhou de eu ter pegado a primeira colocação. E as pessoas falavam pejorativamente: “como a gente vai ter um viado trabalhando com a gente?”. Mas eu sempre soube me impor e mostrei que não era nenhum bicho de sete cabeças. Então eu sou concursada, agente comunitária de saúde, vai fazer quatro anos. Curso faculdade de enfermagem. É impressionante, porque é como se a gente fosse uma criança incapaz e, de repente, conseguiu alguma coisa. As pessoas dizem: “essa aí PELO MENOS faz faculdade”, essa aí PELO MENOS tem um emprego decente. Mas isso aí não agrega valor na realidade, porque depois elas chegam e falam: “Como você é uma enfermeira?” Como atende no posto de saúde?”.

- Embora você seja concursada pública, 90% das travestis e transexuais estão na prostituição. Como é carregar este estigma?

Não condeno quem faz e acho que independente da profissão o que vale é a índole, a moral e a ética. Só acho muito perigoso, acontecem muitas coisas ruins no meio e acho que quem não quer fazer deveria ter outras oportunidades. E investir mais. E quem não conseguir oportunidade e não quiser, que tente associar a prostituição com outra fonte de renda, com um pouco mais de cultura, ler, se informar... Isso vale para todo mundo. O que quero dizer é que não tem problema nenhum em ser profissional do sexo, mas que a gente pode sim ser dona da nossa história. Eu queria que as travestis e transexuais tivessem o direito de ir e vir, fazer programa se quiserem, ter acesso à escola, emprego, se formar e ser reconhecida. Porque muitas até tem condições de pagar uma faculdade, mas adianta ela cursar uma faculdade se o mercado de trabalho depois não vai dar uma chance para aquela profissional?

- Vi pelas redes sociais que você está namorando... É namorado ou marido?

É namorado, futuro marido. Eu agradeço todos os dias pelo meu namorado. No dia em que a gente se conheceu, eu avisei ele sobre tudo aquilo que a gente passaria, como eu passei. E eu sou assim: magoe-me, mas não magoa as pessoas que eu gosto. É comigo, o problema sou eu, se o problema é a trans, a trans sou eu. Não envolve a minha mãe, o meu namorado, então deixa-os em paz. Quando ele foi me buscar em casa, eu entrei e fui subir o vidro, pois queria preservá-lo. Fui preconceituosa comigo mesma. E ele desceu o vidro. Depois, pegava na minha mão, não tinha vergonha, tinha orgulho de estar comigo. Hoje a gente é o casal sensação da cidade. Todo mundo conhece. E nem por isso perdeu a masculinidade, nem deixou de ser hétero...

-  Como "a cidade" lidou com o relacionamento?

Ele costuma dizer que foi um filtro de amigos. Acho que essa frase é esclarecedora, né? Quando ele estava ficando com mulheres cis, ele era “o cara”. Mas quando ficou com uma trans, cadê aquele círculo de amigos tão grande. Então hoje ele até agradece os que ficaram, pois esses são amigos. E me enxergam com a mulher dele. Observo que os outros até aceitam que o cara fique com uma garota trans, mas desde que seja no escurinho no reservado, mas andar de mãos dadas, como ele faz comigo, não. Ele me apresentou para a família dele como mulher transexual, todo mundo sabe a minha história, tanto que eles estão muito felizes com a minha cirurgia, e a gente segue a vida.

(A entrevista foi realizada em outubro, antes da ida para a Tailândia e, na época, Náthalie estava namorando outra pessoa. Hoje, ela está namorando um italiano).
As finalistas do Miss International Queen 2017

- Hoje em dia qual é o meu maior sonho?

Vivia falando que o sonho da minha vida era a cirurgia e, agora que eu consegui, eu vi que não era o sonho da minha vida. Eu vejo que era uma coisa que estava ali para mim, e eu apenas peguei ela com a mão. Tinha que acontecer, uma hora ia acontecer e eu só tinha que alcançar. Então o meu maior sonho hoje é me casar, sucesso profissional, constituir família.

- A referência da sua mãe continua?

Aí já entram muitas histórias, mas a minha mãe é muito guerreira. E se eu for metade do que a minha mãe é, eu já estou 100% satisfeita. O que nós passamos juntas, em todos os sentidos, até mesmo na fase do apoio que eu precisei, nossa, ela tirou de letra. Ela é evangélica do meio, de cabelão, de saia lá no meio, e pode mudar a cabeça. Ela continua sendo evangélica, porém tem uma visão diferenciada. Ela tem uma filha trans e aprendeu a conviver com a diferença. Me chama no feminino. É outra coisa que gosto de mencionar, porque existem pessoas que insistem em chamar de “ele”, “porque você nasceu assim”, “não me acostumo”, usam como desculpa, né? Mas acho que quando a pessoa respeita e gosta de você, ela vai te chamar da maneira que você achar mais adequada. Agora a minha mãe foi espetacular, ela soube passar por essa prova e me ensinar.

- Qual é a mensagem que você quer deixar com a sua participação de sucesso no Miss International Queen?

Eu gostaria que as pessoas soubessem que independente de condição financeira ou status, porte físico, qualquer pessoa é capaz e ela pode chegar onde ela quiser. É mostrar que você tem os seus valores que você zela por eles. Eu levanto a bandeira contra o racismo, contra a transfobia, acho que todas as formas de amor são válidas, respeito ao próximo e respeito a humanidade. O que está faltando hoje em dia é SER humano. Eu acho que cada uma de nós que nasce com o peso de ser transexual, mas porque nós damos conta sim do recado. Não viemos a passeio. Queremos representatividade, visibilidade, oportunidade e somos capazes de qualquer coisa.

Foto dos bastidores da entrevista: 
Náthalie e o jornalista Neto Lucon

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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