Pride

Grupo fará ato em repúdio ao assassinato da travesti Dandara no CE: "Vivemos um extermínio”.


Por Neto Lucon

Em repúdio ao violento assassinato da travesti Dandara dos Santos, no último dia 15, os grupos Resistência Asa Branca - GRAB – junto ao Fórum Cearense LGBT e o Conselho Municipal farão nesta sexta-feira às 9h, um ato “Contra a Barbárie Transfóbica”. A concentração será na Praça Luiza Távora/ CEART, Fortaleza, Ceará.

No ato, eles vão exigir do Estado não somente falas, mas respostas efetivas para o combate à LGBTfobia no Ceará. O governador do Ceará garantiu que os culpados pelo assassinato não ficarão impunes.

A atriz Alicia Pietá afirma que participará do ato e diz que está cansada de tanta violência. “Estamos cansadas de ser invisibilizadas, cansadas de não ter voz, cansadas de sair com medo, pensando que pode ser a próxima a qualquer momento. Chega”, desabafa ao NLUCON. Ela afirma que caso o vídeo não tivesse vazado na rede este seria apenas mais um caso de morte por transfobia. 

"Está havendo um extermínio e um genocídio em curso"
De acordo com Labelle Rainbow, presidente do Conselho Municipal dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais de Fortaleza – a bárbarie transfóbica do assassinato de Dandara é um ataque à dignidade humana e um ataque direto a toda a população LGBT, que vive um “extermínio em curso”.

“O ocorrido com Dandara foi ainda mais chocante por ter o vídeo com o registro da violência transfóbica, que além de identificar os agressores também evidencia que a violência praticada foi, sim, pela identidade de gênero. Está havendo um genocídio e extermínio em curso nesse país contra a população LGBT. Nosso objetivo é reunir esforços para cobrar apuração desse e de outros casos de homicídio e violências e respostas efetivas para o combate a LGBTfobia no Estado do Ceará”, afirma.

QUEM ERA DANDARA


Labelle diz que Dandara frequentava muito o bairro onde mora e era uma “figura alegre, notada sempre que estava na rua e, por conta disso, sempre vítima de comentários e chacotas”. No bairro onde ela morava, ela era querida pela comunidade. Ela tinha 42 anos e morava com a mãe no Conjunto Ceará. Amigos relatam que naquele dia subiu na garupa de uma moto e chegou ao seu destino final, o Bom Jardim. Os seus últimos acenos foram de alegria, até ser abordada pelos seus assassinos.

O ASSASSINATO

Dandara foi assassinada no dia 15 de fevereiro. O crime bárbaro foi feito por meio de socos, chutes, chineladas, pauladas e pedradas. Um vídeo caiu na internet nesta sexta-feira (3) e comoveu as redes sociais pela violência em que Dandara é submetida. São pelo menos cinco agressores.

Enquanto um filma, os outros agridem e pedem para ela subir em uma carriola. Ela é chamada de “viado sem peito”, “imundiça” de calcinha e tudo” e é constantemente agredida. 




Ao ser colocada em cima da carriola, elas continuam com a violência. Dandara apresentava sinais de agressão na cabeça e por todo o corpo. A pessoa que filma diz em tom de deboche: “Eles vão matar o viado”.

Em conversa com o NLUCON, o investigador Damasceno do 32º DP, afirmou que os seis acusados já foram identificados e que o vídeo - que correu em grupos de travestis e transexuais - ajudou na identificação. São dois maiores de idade e quatro menores. "O inquérito está bem apurado", disse. 


Até agora ninguém foi preso.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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