Header Ads

Homem trans Johi Farias toca em bloco de carnaval feminista no Rio de Janeiro


Por Neto Lucon

Depois de tanto procurar homens trans que tivessem destaque no carnaval de 2017, encontramos um, o menino do Rio Johi Farias (lembra aqui). Ele toca nesta quarta-feira (1º) no bloco Mulheres Rodadas, que levanta a bandeira feminista, de igualdade entre os gêneros e que tem parceria com o projeto TransArte. O bloco saiu às 10h e está no aterro do Flamengo.

“Entrei para aprender produção e acabei me envolvendo no bloco. Como tive facilidade de aprender, me tiraram da ala e me escalaram para sair tocando no bloco”, contou ao NLUCON. Começou tocando agogô e, como aprendeu rapidinho, agora está tocando surdo.

"Preferia assistir o carnaval de casa,
esse bloco mudou a minha visão"
Neste ano, o bloco Mulheres Rodadas, por meio da Renata Rodrigues, fez uma parceria com TransArte, da atriz Dandara Vital, e uniu com o nome da peça Mulheres de Tebas. Agora, além do TranSarte, que dá curso de formação para atrizes e atores trans, a Mulheres Rodadas decidiu dar aula de instrumento de bateria. Demais!

Vale ressaltar que o bloco tem a maioria composta e é puxado por mulheres cis, mas tem alguns homens cis também participando. “Me receberam muito bem. Antes, rolou uma reunião onde elas tiveram oportunidade de fazer perguntas e tirar dúvidas a respeito da transexualidade. Foi bem interessante. Eu me sinto muito bem”.

Ao comentar se gosta de carnaval, Johi admite que geralmente prefere ficar em casa assistindo. “Há muita violência, assédio e preconceito nesses blocos, inclusive nas marchinhas. Mas conhecer esse bloco mudou a minha forma de pensar. Além de poder aprender a tocar instrumentos, o bloco carrega uma grande responsabilidade que é bater nesse tema ‘machismo’ que reina no carnaval. É mais que curtir, é fazer mudança”.



É importante termos homens trans nesses espaços? “Eu nunca imaginei que teria essa oportunidade. Acho muito importante estarmos em todos os espaços. Espero que a cada ano tenham mais pessoas trans no Carnaval e que essas marchinhas deixem de ser LGBTfóbicas, por isso é importante essa inclusão. Não devemos permitir que continuem nos atacando com argumento de ‘brincadeira’ de carnaval, de piada. Nós também temos o direito de curtir e por isso temos que estar presentes”.

Vale ressaltar que Johi atualmente faz uma campanha para uma cirurgia que masculiniza o seu peitoral. Saiba mais clicando aqui.

Nenhum comentário

Tecnologia do Blogger.