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Atriz trans Laverne Cox nega privilégio da socialização masculina: “sofri assédio e vergonha”


Por Neto Lucon
Tradução Vee / LGBT Headbangers Brasil

Laverne Cox escreveu nas redes sociais sobre o debate que envolve a infância, adolescência e educação de mulheres trans. E comparou com a socialização de seu irmão gêmeo cis, M. Lamar. O debate veio à tona depois que a feminista cis Chimamanda Ngozi Adichie ressaltou que mulheres trans teriam o “privilégio da socialização masculina” em detrimento das mulheres cis. 

“Eu estava pensando hoje se meu irmão gêmeo acredita que eu tive privilégios masculinos enquanto crescia. Eu era uma criança bastante feminina apesar de ter sido designada ao gênero masculino no nascimento”, escreveu. 

“Meu gênero era constantemente policiado. Me disseram que eu agia como garota e sofri assédio e vergonha por isso. Minha feminilidade não me fez sentir privilegiada. Eu era uma boa aluna e era muito apoiada por isso, mas eu via garotas cis que se mostravam promissoras na carreira acadêmica serem encorajadas pela comunidade negra onde eu cresci, em Mobile, Alabama”.

A artista frisa que mesmo tendo sido designada ao gênero masculino no nascimento não viveu privilégios masculinos antes de sua transição. Afinal, o patriarcado e o cissexismo puniram sua feminilidade e inconformidade com o gênero atribuído. “A ironia da minha vida é que antes da minha transição eu era chamada de garota e depois eu sou frequentemente chamada de homem”, diz.
M. Lamar é irmão gêmeo da atriz Laverne Cox

Segundo a atriz, sugerir que todas as mulheres trans transicionam de uma vida com privilégios masculinos silencia muitas experiências e não é interseccional. “Gênero é constituído diferentemente dependendo da cultura onde vivemos. Não existe uma experiência universal de gênero, de mulheridade. Sugerir isso é essencialista e, mais uma vez, não-interseccional. Muitas das intelectuais feministas que vieram antes nos alertaram contra o essencialismo e contra não-ter uma abordagem interseccional no feminismo. Classe, raça, sexualidade, deficiências, estado de imigração, educação: tudo influencia em como experienciamos privilégios”.

Laverne defende que o policiamento do gênero existe por meio de regras estritas dentro de um binarismo cisnormativo. Ou seja, quando fala-se de pessoas trans, essa premissa fica bastante complexa. “A interseccionalidade discute tanto o privilégio masculino quanto o cis. Por isso é primordial que continuemos a dar visibilidade a diversas histórias trans. Por muitos anos haviam poucas narrativas trans na mídia”.

Ela cita Christine Jorgensen que há mais de 60 anos desceu de um avião e se tornou a primeira mulher trans internacionalmente conhecida. Na narrativa da mídia, ela era definida como o 'o sujeito machão que se torna mulher'. Mas frisa que essa certamente não é a sua história ou a história de várias pessoas trans que ela conhece.

“Essa narrativa frequentemente trabalha reforçando o binarismo de gênero ao invés de explodi-los. Essa explosão é a revolução do gênero que eu imagino, uma revolução de verdadeira auto-determinação de gênero", finalizou a atriz, que não se intimidou em mostrar mais uma vez o lado militante.


 “A ironia da minha vida é que antes da minha transição eu era chamada de garota e depois eu sou frequentemente chamada de homem”.

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