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Lea T revela que primeiro orgasmo pós-cirurgia foi emocionante: “Até chorei”


A modelo Lea Cerezo, mais conhecida como Lea T, deu uma entrevista bastante íntima para a revista feminina Marie Claire. Nela, ela falou sobre a primeira vez que gozou. E garantiu que isso só ocorreu depois que passou pela cirurgia genital.

“Antes da cirurgia, minhas relações sexuais não era prazerosas. Só gozei de verdade após me operar. Consegui sozinha, me presenteei com um orgasmo, uns quatro meses depois do período pós-operatório. Fui explorando minha vagina, seguindo os conselhos que recebi dos médicos na Tailândia, e deu certo. Foi maravilhoso, até chorei”, afirmou ela.

Ao contar para os amigos em Milão, eles fizeram uma festa e lhe deram calcinhas vermelhas (risos). “Foi uma palhaçada! Acho que, no fundo, pensavam: ‘Ah, ela vai falar que teve orgasmo só para não admitir que fez uma burrada se operando’. O processo foi todo mundo difícil, mas nunca me arrependi”, declarou.

Já quando o assunto é virgindade, ela entrega que rolou no início de 2016 com um ex-casinho e um grande amigo. Não considera o momento romântico, pois a situação toda era tensa. “Acho que a primeira vez de toda mulher é assim. Tenho uma filosofia sobre sexo, que pode soar careta. Acho que, quando transamos, a energia do parceiro fica em você e a sua, nele. Então, para me entregar a alguém, tenho que admirar essa pessoa. É uma forma de respeito à minha história, ao meu sofrimento para chegar ao corpo que tenho hoje. Foram tantas lágrimas nessa batalha”.



Aos 35 anos, Lea afirma que nunca teve um namoro longo, nunca se apaixonou loucamente. E que isso não se deve pelo fato de ser uma transexual, mais por ser uma viajante. “Morei em vários países, então era um casinho aqui, outro ali. Estou solteira há anos, sigo minha vida feliz sem fazer sexo, ou fazendo sozinha, afinal eu não estou morta (risos). É isso aí...

CIRURGIA DE CURA

A realização da cirurgia de redesignação sexual (genital) ocorreu na Tailândia, que é referência nos procedimentos. Esteve acompanhada da mãe, dos irmãos e de uma tia. “Antes de ser encaminhada ao centro cirúrgico, me ofereceram um calmante. Neguei, porque não estava nervosa, mais aliviada. Para mim, era uma cirurgia de cura”.

Para Lea, o pior mesmo foi o pós-operatório: “foi doloroso. Sofri com o inchaço e a cicatrização. Mas, ao mesmo tempo, a dor era um sinal de que meus nervos estavam lá, que tudo estava funcionando”. Foram três meses no hospital, onde fez várias amigas trans do mundo inteiro e com histórias diversas. “Parecia até um filme do Almodóvar”.

About Neto Lucon

Jornalista. É formado pela Puc-Campinas e pós-graduado em Jornalismo Literário pela Academia Brasileira de Jornalismo Literário. Escreveu para os sites CARAS Online, Virgula e Estadão (E+), Yahoo!, Mix Brasil, no jornal O Regional e para a revista Junior. É autor do livro-reportagem "Por um lugar ao Sol", sobre pessoas trans no mercado de trabalho. Tem quatro prêmios de jornalismo, sendo dois voltados para as questões trans, Claudia Wonder e Thelma Lipp

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